O tribunal de Almada condenou hoje a 11 anos de prisão um colombiano, que era procurado pelos Estados Unidos da América e pela Interpol, pela importação de 340 quilos de cocaína apreendida na Costa de Caparica.

Luís Macias Nieto, 66 anos, conhecido como «El Doctor» e considerado pelas autoridades como um dos principais traficantes de droga da Colômbia, foi detido em julho de 2012 na Costa da Caparica, após uma investigação conjunta da DEA - agência antidroga dos EUA, Interpol e Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da Polícia Judiciária.

O principal arguido foi condenado, em coautoria, por um crime de tráfico de estupefacientes agravado, enquanto os quatro outros suspeitos foram condenados a penas entre os sete e os oito anos e meio, também em coautoria, mas por tráfico de estupefacientes simples.

Os cinco arguidos - dois colombianos e três espanhóis - estão em prisão preventiva ao abrigo do processo, e assim vão continuar por decisão do coletivo de juízes, que deu como provado, na íntegra, o despacho de pronúncia do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) de Lisboa.

Edil Sua Luna, também colombiano e, segundo o coletivo de juízes o «braço direito» de Macias Nieto, foi condenado a oito anos e meio de prisão.

O tribunal aplicou a Alejandro Bedmar, Joaquin Martos e Joaquin Torcuate sete anos de prisão por tráfico de droga. Joaquin Torcuate foi ainda condenado a um ano de prisão por condução perigosa, tendo o tribunal aplicado, em cúmulo jurídico, a pena única de sete anos e meio de prisão.

O coletivo de juízes considerou a «operação encoberta» e a intervenção dos agentes infiltrados como «legítima e legal», acrescentando que os mesmos atuaram dentro da lei e não como agentes provocadores.

Opinião diferente tem o advogado do principal arguido que vai interpor recurso para o Tribunal da Relação de Lisboa.

«Evidentemente que vamos recorrer da decisão, que foi dura. Mas o que é relevante aqui é que foi a polícia que foi buscar a droga à Colômbia [agentes infiltrados], foi a polícia que fez o transporte da droga, foi a polícia que armazenou a droga e foi a polícia que entregou a droga a estas pessoas [arguidos]. Vamos ver se, num Estado de direito, os juízes do tribunal superior aceitam este tipo de comportamentos», frisou Mello Alves, à saída do tribunal de Almada.

Sob Luís Macias Nieto recai um pedido de extradição para os EUA, mas isso só acontecerá depois de cumprir, em Portugal, a pena a que agora foi condenado.

O julgamento decorreu sob fortes medidas de segurança, com dezenas de guardas prisionais, alguns dos quais com cães.

Segundo o despacho de pronúncia do TCIC de Lisboa, a que a Lusa teve acesso, Luís Macias Nieto e Edil Sua Luna, «decidiram transportar cerca de 340 quilos de cocaína da Colômbia para Portugal», que depois seria vendida no mercado europeu.

Assim, «os dois arguidos fizeram chegar ao território nacional vários fardos de cocaína que guardaram num barracão abandonado na zona de Casal Frade, concelho de Sesimbra».

Depois de enviada a droga para Portugal, os dois homens deslocaram-se para o nosso país com o objetivo de «tratarem da venda do produto», tendo contactado os outros três arguidos, de nacionalidade espanhola - Alejandro Bedmar, Joaquin Torcuate e Joaquin Martos.

Após semanas de vigilância dos movimentos dos suspeitos, a 31 de julho de 2012, inspetores da Polícia Judiciária intercetaram duas viaturas, na Costa de Caparica, onde seguiam os arguidos.

Num dos automóveis estavam 234 quilos de cocaína e na busca ao barracão na margem Sul do Tejo foram encontrados 107 quilos de cocaína.