Os diretores escolares estão a ter dificuldades em contactar os professores da Bolsa de Contratação de Escola (BCE) para preencher os lugares vagos, porque as listas estão desatualizadas e algumas estão mesmo inacessíveis.

Seis semanas após o início do ano letivo, os diretores «estão a trabalhar a 200%» para tentar acabar com o problema da falta de docentes, contou à Lusa Filinto Lima, vice-presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).

Os diretores receberam esta segunda-feira do Ministério da Educação e Ciência (MEC) as listas dos professores cujo perfil se enquadra nas necessidades das escolas, cabendo agora aos responsáveis escolares contactá-los para os convidar a ocupar os lugares vagos.

No entanto, segundo alguns responsáveis, estão a haver problemas, uma vez que a aplicação informática não está a apresentar as listas dos docentes correspondentes a determinados horários pedidos.

«Penso que a aplicação ainda está a ser afinada e as listas estão em processo de atualização», contou à Lusa Eduardo Lemos, presidente do Conselho de Escolas e diretor da Escola Secundária Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim.

Na sua escola estão por preencher nove horários mas Eduardo Lemos só consegue aceder às listas destinadas a três horários. «Nos restantes seis horários não existem listas de professores», contou à Lusa, explicando que tem alunos do ensino secundário que continuam sem aulas de geografia, espanhol, economia ou informática.

Há diretores que apontam outros problemas: «A bolsa está teoricamente nas nossas mãos, mas a lista de professores não está atualizada, porque data de 3 de outubro, quando a última colocação de professores foi a 10 de outubro e entretanto entraram professores para as escolas. Deveríamos ter recebido uma lista com a situação em que se encontravam os professores na sexta-feira», disse por seu turno Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Diretores Escolares (ANDE), responsáveis por um agrupamento de escolas de Cinfães.

Na escola de 2.º e 3.º ciclos do agrupamento ainda faltam colocar dez docentes, o que significa que «nenhum dos cerca de 700 alunos ainda tenham tido uma aula de história», exemplificou Manuel Pereira, temendo que a situação ainda demore para ficar resolvida.

Além de considerar que os dados da lista estão desatualizados, Manuel Pereira diz que não encontrou, na aplicação informática, os contactos telefónicos dos professores disponíveis.

Em resposta à agência Lusa, o MEC esclareceu que «os diretores têm de aprovar os horários na plataforma para terem acesso às listas».

Para além disso, acrescentou o MEC, os nomes que constam da lista respeitam sempre a ordenação da primeira BCE, e as listas disponíveis podem ter alterações consoante os professores vão aceitando horários temporários. Findo o horário atribuído regressam às listas como disponíveis para aceitar novos horários e com a ordenação que lhes tinha sido atribuída na primeira BCE.

Segundo uma estimativa da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) ainda falta colocar cerca de dois mil docentes.

Para Manuel Pereira, esse número não deve estar inflacionado, uma vez «estavam cerca de 4000 vagas identificadas e ainda nem metade foram preenchidas».

No agrupamento de Manuel Pereira faltam docentes de disciplinas tão variadas como história, físico-química, educação visual ou ensino especial. «Já falei com dois colegas que estão na mesma situação», criticou.

No agrupamento de escolas de Filinto Lima, em Vila Nova de Gaia, ainda estão sete horários por preencher e o diretor já contactou hoje dois docentes através das listas da BCE: «Em relação a um fiquei com a ideia que iria aceitar enquanto o outro não», contou à Lusa o representante da ANDAEP.