Os representantes dos diretores escolares dizem que os problemas de colocação de professores, através da bolsa de contratação, estão «finalmente» ultrapassados, decorridos dois meses do arranque do ano letivo. Agora é, sim, «preciso acudir a outro fogo», o da compensação das aulas em atraso.

«Os professores estão finalmente colocados e nas escolas a dar aulas», começou por afirmar, à Lusa, o vice-presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP).

«Esse fogo está extinto. É preciso acudir a outro, que são as aulas de compensação», declarou depois Filinto Lima, acrescentando que as escolas estão ainda a submeter os seus planos de apoio aos alunos prejudicados pelos atrasos nas colocações à aprovação do Ministério da Educação e Ciência (MEC).

Muitos estabelecimentos têm recursos próprios para resolver a situação, segundo o mesmo responsável, pelo que não necessitam de contratar mais docentes. Precisam apenas de autorização para pagar horas extra aos professores disponíveis para as fazer, ou autorização para aumentar o horário de docentes dos quadros e contratados, com horários incompletos e que podem assegurar as aulas de compensação necessárias, explicou.

A um ritmo de uma ou duas horas de aulas extra por semana, o vice-presidente da ANDAEP, e diretor de um agrupamento de escolas em Vila Nova de Gaia, espera ter a questão da recuperação dos alunos com aulas em atraso resolvida a tempo dos exames. Filinto Lima reconhece, no entanto, que este plano de recuperação não se faz sem «o sacrifício de pais, alunos e professores».

Já Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), que também dá por terminado o problema com as colocações de professores, espera que os planos de recuperação possam estar concluídos até ao final do 2.º período, ainda longe do período de exames. «Há prejuízos para os alunos, como é evidente». A principal preocupação continua a ser a recuperação dos alunos em anos terminais, com exames no final do 3.º período.

Manuel Pereira diz que a Direção-Geral da Administração Escolar tem dado resposta aos planos individuais submetidos pelas escolas, mas «tem tentado que as escolas justifiquem muito claramente as suas necessidades», uma exigência que o representante dos diretores escolares entende, numa lógica de racionalização de recursos.

Independentemente de as escolas conseguirem finalizar os planos de recuperação de alunos a tempo dos exames de final de ano, Filinto Lima considera que o MEC devia encarar os problemas deste ano «como uma oportunidade» para alterar definitivamente as datas dos exames dos alunos do 1.º ciclo e do restante ensino básico, fazendo-os coincidir com o período de exames definido para os estudantes do ensino secundário.

Essa opção, defendeu, traria vantagens para a aprendizagem dos alunos, evitando que «entrassem de férias a seguir aos exames», ainda que em período de aulas, e para a organização das escolas, que não teriam de gerir o encerramento total ou parcial dos estabelecimentos a meio do 3.º período, para poder realizar exames, prejudicando o período de aulas dos alunos mais velhos.

Filinto Lima reiterou ainda que o processo de verificação de critérios e competências declarados pelos professores, nas suas candidaturas a lugares nas escolas, «tem de acontecer mais cedo no próximo ano», até para evitar que docentes percam a colocação quando já estão a dar aulas por depois se verificar que não cumpriam os requisitos que indicaram.

Foi dito, também à Lusa, por dirigentes de várias instituições, que o ensino artístico especializado também já está a operar normalmente, o que só esta semana começou a verificar-se.

Entretanto, para a Fenprof, as reivindicações continuam, sobretudo no que toca à compensação dos professores lesados no processo de contratações. A organização sindical liderada por Mário Nogueira quer alterar a composição da comissão anunciada pelo Governo para avaliar as ditas compensações