A escola básica da Apelação, em Loures, vai estar sem ensino de pré-escolar e 2º ciclo, pelo menos até quinta-feira, devido à anulação das colocações de professores do concurso da bolsa de contração, disse esta sexta-feira o diretor.

Vários agrupamentos de escolas receberam hoje orientações do Ministério da Educação para anularem as colocações de professores do concurso da Bolsa de Contratação de Escola (BCE)

Um dos agrupamentos escolares que recebeu esta orientação foi o da Apelação, no concelho de Loures, onde a medida foi acolhida com «muita preocupação» pelo diretor do agrupamento, Félix Bolaños, que referiu à Lusa não existirem condições de funcionamento do pré-escolar e do segundo ciclo, «no mínimo até à próxima quinta-feira».

«No caso do pré-escolar tínhamos quatro educadores para seis salas e com esta decisão passamos a ter apenas uma. O segundo ciclo estava para começar na segunda-feira, mas assim já nem vale a pena começar», afirmou o responsável.

A medida afeta também as aulas do primeiro e terceiro ciclo, embora neste caso existem alguma disponibilidade de professores.

Na escola básica da Apelação estudam cerca de 450 alunos.

A previsão de normalização da situação na quinta-feira é, segundo ressalvou, a mais otimista, uma vez que era necessário que os professores que foram novamente colocados aceitassem todos lecionar na Apelação ainda durante o dia de hoje.

«Após a aceitação existe um prazo de 48 horas para os professores se apresentarem ao serviço, mas nós determinamos um prazo de 304 horas também para existir uma formação do docente», esclareceu o responsável.

Por seu turno, a Câmara de Loures, em comunicado, também reagiu a esta contrariedade na escola da Apelação, classificando a situação de «aberrante».

«Esta situação acontece perante a passividade do ministério da Educação, não obstante esta escola ser considerada um território educativo de intervenção prioritária», criticam.

Também esta tarde, em declarações à Lusa, o vice-presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, explicou que a orientação foi enviada hoje de manhã, por correio eletrónico, pela Direção-Geral da Administração Escolar

Segundo a mesma fonte, a orientação pede aos diretores de escolas, com contrato de autonomia e em território educativo de intervenção prioritária, para que elaborem um despacho que revogue as listas com a ordenação dos candidatos à bolsa de contratação e, em consequência, anule as colocações que daí resultaram, e cujos resultaram foram conhecidos a 12 de setembro.