Cerca de 40 pais e alunos do Colégio São Miguel, em Fátima, distrito de Santarém, entregaram esta segunda-feira uma carta ao ministro da Educação a pedir que aplique um regime de exceção previsto e mantenha cinco turmas no 7º ano.

Em causa está a decisão governamental de reduzir o 7º ano daquela escola com contrato de associação de cinco para quatro turmas.

Em declarações à Lusa, o porta-voz do grupo, Fernando Santos, saiu desanimado do Ministério da Educação, em Lisboa, porque “não sentiu grande abertura”.

Quase duas horas depois de ter entrado, foi-lhe dito que “não havia ninguém disponível para o receber”, pelo que fez “mais um” pedido de audiência.

“Está previsto na lei um regime de exceção que faz todo o sentido neste caso, pelo ‘timing’. Não é a 15 dias de começarem as aulas que se diz a uma criança que vai mudar de escola”, disse à Lusa.

“Não estavam a fazer nada que a lei não permitisse. Só queremos que se aplique esta medida de exceção que está prevista e mantenha as cinco turmas este ano letivo”, acrescentou.

Com um filho matriculado no 7º ano e a frequentar aquele colégio desde o 5º, Selma disse estar “muito preocupada” com a situação.

“Viemos aqui pacificamente apelar ao bom senso do ministro. A uma semana do início das aulas, esta é mesmo uma questão de bom senso”, frisou.

Segundo a encarregada de educação, os manuais escolares já foram comprados - “e não são baratos” - para aquele colégio e não se sabe que alternativas existem porque, “a esta altura, não devem existir vagas nas outras escolas”.

Por seu lado, a encarregada de educação Luísa realçou que o Colégio São Miguel “tem capacidade para as cinco turmas” do 7.º ano e não percebe porque é que decidiram agora “tirar uma”.

“É muito injusto estarmos a decidir o futuro dos nossos filhos nesta altura do campeonato”, lamentou.

Questionada pela Lusa, fonte do Ministério da Educação esclareceu que “a direção do Colégio teve conhecimento da redução do número de turmas com contrato de associação em julho” e que os “alunos podem solicitar inscrição noutros colégios da zona com contrato de associação”.

A mesma fonte referiu ainda que “a diminuição de turmas tem sido feita em harmonização com todo o sistema da oferta pública de educação”.

Pais e alunos saíram do Ministério da Educação com a intenção de se dirigirem à Assembleia da República para entregarem uma cópia da carta aos partidos políticos com assento parlamentar.

Na freguesia de Fátima não há ensino público do 5.º ao 12.º ano, escolaridade que é assegurada por três colégios com contrato de associação.