Por: Redacção / PP | 20- 10- 2009 16: 4
Artigo actualizado às 18h40
O Ministério Público acusou, esta terça-feira, oito alunos finalistas do Colégio
Militar de maus tratos «provocados» a colegas mais novos. A informação foi avançada na página da Internet do semanário «Expresso»,
mas já foi confirmada pela Procuradoria-Geral da República.
Os factos ocorreram entre 2006 e 2007. Os oito alunos
agora acusados eram graduados ou comandantes de secção do Colégio, lê-se na mesma notícia.
Ainda de acordo com o
«Expresso» o procurador do DIAP, responsável pelo processo, considerou «crime» os «castigos» aplicados aos alunos mais novos,
mesmo que estes fossem vistos como «normais e tradição». Em causa estão seis crimes de maus tratos, punível com pena até cinco
anos de prisão, cada um.
Já segundo a agência Lusa, o despacho final do inquérito «faz a distinção entre os castigos
com fins educativos inseridos no poder-dever de educação e correcção atribuído aos graduados e as situações de crime de maus
tratos».
A agência Lusa também contactou o subdirector do Colégio Militar, mas este remeteu qualquer comentário para
o gabinete de relações públicas do Exército. Todavia, adiantou que todos os arguidos já abandonaram a instituição.
«Garantidamente
estes arguidos são ex-alunos do Colégio», disse à Lusa o coronel João Caetano.
Em Maio passado foi ordenada uma inspecção
conjunta dos Ministérios da Defesa e da Educação, realizada pelas respectivas inspecções-gerais, para investigar alegadas
agressões a alunos do Colégio Militar e do Instituto dos Pupilos do Exército.
O processo teve origem em várias queixas
apresentadas ao Ministério da Defesa Nacional, «relativas a alegadas agressões, bem como outros acontecimentos ocorridos no
Colégio Militar e no Instituto dos Pupilos do Exército».
Em Julho, o ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira,
garantiu estar a acompanhar «com atenção o que se passa no Colégio Militar», lembrando que no passado já accionou as vias
judiciais para apurar outros casos envolvendo a instituição.
«Quando houve informação de situações de violência,
o Ministério da Defesa informou o Ministério Público e, no âmbito das suas competências, instaurou uma auditoria», disse,
na altura, Nuno Severiano Teixeira.
Apesar de ser uma escola pública, o Colégio Militar depende do Ministério da
Defesa Nacional e está à responsabilidade do Exército.
«Já não estão no Colégio»
Já ao final da tarde
o Exército explicou à Lusa que os oito alunos acusados pelo MP já tinham sofrido sanções disciplinares e actualmente não fazem
parte da instituição, frisando a sua «firmeza e determinação» na punição de casos semelhantes.
O porta-voz do Exército,
tenente-coronel Hélder Perdigão, referiu que as alegadas agressões cometidas remontam a 2005 e 2007 e que aos alunos foi levantado,
«à data, um processo de averiguações, que caminhou para processo disciplinar e culminou numa suspensão aplicada pela própria
instituição».
«A componente militar de todo este processo terminou aqui», ressalvou, sustentando que «houve uma falta
no normal funcionamento dos alunos» e que esta «é a conduta normal em casos destes». Os oito jovens envolvidos no caso deixaram
o colégio nos últimos dois anos.
Em seguida, Hélder Perdigão, assegurou: «O Exército manterá sempre a posição firme
e determinada em aplicar sempre o regulamento interno das instituições que tutela a situações que fujam ao normal funcionamento».
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