Por: Redacção / Miguel Morais | 17- 5- 2008 22: 46
«Sou bastante racional nas minhas compras, no entanto, adquirir 200 euros de banda desenhada pode ser considerada uma loucura
para muita gente». A afirmação é de Sérgio Sousa, coleccionador de livros de BD há mais de 30 anos. A timidez em miúdo fê-lo
refugiar-se numa paixão especial pela personagem Tex, que diz ser para a vida. Actualmente possui cerca de três mil livros
de BD, que guarda com todo o cuidado em dois roupeiros, que adquiriu propositadamente para a colecção.
Fotos da colecção TEX de Sérgio Sousa
Sérgio é apenas um entre milhares de portugueses
que, pelas mais diversas motivações, se dedica ao coleccionismo. Todos os motivos são válidos para se iniciar uma colecção.
«Esta paixão por objectos que contenham as iniciais JB, nasce precisamente pelo facto de coincidirem com as letras que iniciam
o meu nome, e também porque familiares e amigos me chamam assim», refere Joaquim Barbosa, responsável por uma colecção que
integra todo o tipo de objectos relacionados com a JB.
Fotos da colecção JB de Joaquim Barbosa
Em apenas oito anos como coleccionador, já atingiu
o número de 775 objectos, que fez questão de catalogar, numerar e expor num espaço reservado. Revela já ter sido um coleccionador
«insaciável», mas hoje em dia diz preferir «partilhar paixões».
Quando questionado sobre o objecto que mais valoriza
de todos os que possui, a resposta é politicamente correcta. «Na minha opinião, um coleccionador, raramente consegue distinguir
este ou aquele objecto no seio de tantos», sublinha Joaquim Barbosa. No entanto, destaca uma mesa de bilhar da JB como um
objecto «especial», devido ao preço que custou o seu transporte.
Joaquim Barbosa, ou JB - como é conhecido - possui
uma ambição que é comum à maioria dos coleccionadores: «Quero poder partilhar este espólio, dando a conhecê-lo à sociedade
em geral».
Moedas, selos e pacotes de açúcar
Em Portugal existem várias empresas e lojas que se dedicam
à venda de material para coleccionadores. Moedas, selos e pacotes de açúcar estão no topo das preferências.
Bruno
Santos colecciona moedas desde os 12 anos. «Gosto de moedas. E as moedas contam histórias, especialmente as comemorativas»,
justifica. Em vinte anos juntou mais de 1300, que guarda em caixas próprias de coleccionador. A mais antiga que possui é de
1778. Ao contrário de outros coleccionadores, refere que «não procura as moedas», nem frequenta feiras de objectos antigos.
Mas reconhece a autoria de uma loucura, quando adquiriu uma pequena moeda de ouro por 50 euros.
Fotos da colecção de moedas de Bruno Santos
A paixão clubística também assume relevância
no coleccionismo. Pedro Freire é coleccionador há apenas um ano e meio. A paixão surgiu após ter ensinado a filha sobre como
criar um blogue. O tema escolhido foi os cachecóis e desde esse momento nunca mais parou. Actualmente tem mais de 400 modelos.
«Tenho duas doenças, sou asmático e do Benfica. Interesso-me pelos cachecóis mas a paixão é pelo Benfica», sublinha Pedro
Freire.
Fotos da colecção cachecóis
de Pedro Freire
A colaboração da esposa assume um papel preponderante. «Quando recebo cachecóis em mau estado
peço ajuda à minha mulher, que os recupera», explica. O seu objectivo é tentar obter todos os cachecóis que existem do clube
da Luz, naquele que considera ser «um hobby para a vida e para continuar em família».
O coleccionismo é, segundo
vários psicólogos, uma forma de aprendizagem e satisfação para o ser humano. «Se nos dedicarmos a algo que não termina e enquanto
continuarmos a sentir prazer, pode ser para a vida inteira», reforça Sérgio Sousa.
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