A mãe de uma criança de quatro anos, de Castelo Branco, acusou esta quarta-feira o Hospital Pediátrico de Coimbra (HPC) de ter cancelado uma cirurgia programada por falta de material clínico, depois de aquela ter sido submetida a uma anestesia geral.

À agência Lusa, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) refere, em comunicado, que a criança «foi operada a catarata pediátrica há cerca de três anos, tendo permanecido sem lente intraocular desde então» e que foi «programada cirurgia de implante secundário de lente que só pode ser definida (a potência e o tipo de lente) após observação sob anestesia, situação que foi explicada».

De acordo com a Lusa, a mãe da criança disse que na terça-feira, às 07:45, estava com a filha na unidade hospitalar, tal como tinha sido indicado, para iniciar a preparação para o bloco operatório.

«Deixei-a anestesiada com a equipa médica às 13:45. Eram 14:15 e já estava à porta do bloco [operatório] à espera de notícias da minha filha», refere.

De acordo com a mãe, o médico responsável pela cirurgia disse então que não tinham feito nada à criança. Explicou-lhe que os cálculos para as dioptrias a introduzir no olho da criança só são possíveis de obter de uma forma «fidedigna» sob anestesia.

Ainda de acordo com a mãe da criança, o clínico explicou que os cálculos apontaram «para uma lente de 12 milímetros» e «a lente mais próxima disponível no bloco era de 18 milímetros».

«Se tivesse introduzido essa lente, na prática, a criança ficaria com uma graduação de seis dioptrias, quando ela tem atualmente sete. Não tinha lógica só haver melhoria de uma dioptria, pelo que suspendi a intervenção», terá dito o clínico.

A mãe mostra-se revoltada por aquilo que considera ser uma «falta de provisão de material, de lentes de vários tamanhos, em pleno bloco operatório» e por isso «suspendeu-se uma intervenção».

O comunicado do CHUC refere que nestes casos «pode haver duas possibilidades: ou é programada uma observação sob anestesia geral para cálculo e escolha da lente ou se faz no mesmo dia da cirurgia programada, sempre com a condicionante de a lente ter de ser pedida ao exterior».

O documento refere ainda «que não se trata unicamente da potência mas do tipo de lente a implantar».

«Pois algumas vezes pensamos implantar um determinado tipo e depois da observação é implantado outro, com características diferentes. Não podem existir todas estas lentes, com todas as potências, em stock», refere a nota hospitalar.