O movimento independente Cidadãos por Coimbra realizou esta segunda-feira, em Coimbra, uma arruada para mobilizar e sensibilizar a população para a conclusão das obras do Metro Mondego.

«É essencial acabar a obra do Metro Mondego», disse José Augusto Ferreira, vereador eleito pelo movimento Cidadãos por Coimbra (CPC), ao mesmo tempo que criticou a «ausência de ação política» em torno deste projeto.

Segundo o vereador, que falava à margem da arruada, «todos dizem que há interesse» no Metro, «mas [depois] faz-se muito pouco».

Para o autarca, as estruturas locais, como a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro (CCDRC) e a Câmara de Coimbra, entre outras, devem-se «envolver» na questão.

José Augusto Ferreira apelou a que todas as forças políticas se juntem «numa grande iniciativa conjunta» a favor da conclusão do Metro Mondego.

«Temos de dar a mão e consensualizar posições. Isto não é exclusivo de ninguém», frisou.

A arruada juntou cerca de duas dezenas de pessoas, tendo começado na Estação do Parque e terminado junto da Loja do Cidadão, por volta das 19:00.

A entrega das assinaturas a pedir a conclusão da obra à Assembleia da República estaria prevista «para esta altura», mas o CPC decidiu «alargar os prazos», por se observar «muito desconhecimento» em torno do Metro Mondego, referiu.

José Augusto Ferreira da Silva rejeitou ainda «o sentimento de que o metro é para a população de Miranda do Corvo e da Lousã», afirmando que o projeto «é para todos».

Américo Santos, utente do Ramal da Lousã, que discursou no final da arruada, questionou se «é ou não um ato de terrorismo destruir uma linha férrea», protestando contra os «milhões que ficaram a apodrecer».

«Os povos têm o direito à indignação e a continuar a luta até ser devolvido aquilo que nos foi roubado», concluiu.

João Pimenta, habitante de Coimbra abordado pelo grupo do CPC durante a arruada, aplaudiu a iniciativa, contando que a conclusão do Metro «era boa para a cidade» e para «a mobilidade» entre concelhos.

O Ramal da Lousã foi desativado há quase quatro anos, estando concluído, no âmbito do projeto, parte das empreitadas entre Alto de São João (Coimbra) e Serpins (Lousã), correspondentes à Linha Verde, primeira fase do Metro Mondego, que foram interrompidas há cerca de dois anos após um investimento de cerca de 140 milhões de euros.

Na visita à Lousã, a 31 de julho, o ministro do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, defendeu a conclusão das obras do Ramal da Lousã, considerando esta uma «questão de justiça» para com as populações.

No entanto, sem entrar em detalhes de ordem técnica, Miguel Poiares Maduro disse não poder garantir que a solução a encontrar pelo Governo «seja como estava» na última versão do projeto da Metro Mondego, por ser «um investimento incomportável para o país», como reporta a Lusa.