As corporações de bombeiros são obrigadas a reencaminhar as chamadas de emergência médica para o INEM para receberem o subsídio a que têm direito, indicou a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

Desde 1 de agosto, que as corporações de bombeiros têm que reencaminhar as chamadas de emergência médica para o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM, a quem compete decidir os meios a disponibilizar, o que não inviabiliza o acionamento imediato de uma ambulância.

A triagem das chamadas de emergência médica pelo CODU não é nova, estando prevista na lei desde 1997, mas o novo procedimento do INEM não está a ser bem recebido por algumas corporações de bombeiros, que alegam não poderem responder de imediato a situações urgentes, e o próprio presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, já veio a público contestar.

Numa nota, a Proteção Civil avança que o «INEM implementou, desde 1 de agosto, um procedimento de não atribuição de número de saída e correspondente subsídio a todos os serviços cuja chamada não tenha sido triada pelos CODU».

O INEM paga às corporações um subsídio cada vez que o CODU aciona uma ambulância dos bombeiros, montante que é atribuído de acordo com uma tabela que tem em consideração a formação dos tripulantes das ambulâncias e os quilómetros percorridos até à unidade de saúde.

A ANPC adianta que, através da Direção Nacional de Bombeiros, difundiu uma informação a todos os corpos de bombeiros, alertando-os para a necessidade de realização da triagem pelo INEM das chamadas recebidas diretamente nas suas centrais telefónicas.

A Proteção Civil sublinha que não foram dadas instruções aos bombeiros para que não respondessem aos pedidos de envio de ambulâncias do INEM sem que antes fossem reencaminhadas para os CODU.

A nota diz ainda que a ANPC, INEM e Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) acordaram procurar «incentivar o reencaminhamento de todas as chamadas recebidas diretamente nos corpos de bombeiros para os CODU, acionando os bombeiros, de imediato, a ambulância de socorro».

O porta-voz do INEM, Pedro Coelho dos Santos, confirmou à Lusa que o Instituto Nacional de Emergência Médica nunca deu indicações para que os bombeiros se recusassem prestar socorro.

Pedro Coelho dos Santos adiantou que as corporações dos bombeiros podem avançar com uma ambulância, mas têm que reencaminhar a chamada para o CODU, que faz a triagem da situação e decide qual o meio mais adequado.

Destacando as vantagens das chamadas serem recebidas pelo INEM, referiu que o CODU é um serviço de aconselhamento médico, de triagem para diagnóstico e encaminhamento mais precoce.