Recentemente, um casal de turistas brasileiro foi detido quando já se encontrava no avião preparado para viajar até Lisboa porque foram detetados 27 quilos de droga na sua mala. O casal escapou à cadeia graças aos vídeos de videovigilância que provaram que a etiqueta da mala tinha sido trocada por funcionários do próprio aeroporto que acabaram presos.

A TVI esteve lá, filmou tudo e mostra-lhe a história completa.
 
S. Paulo, Brasil - Há 134 homens e mulheres portugueses presos nas cadeias brasileiras que foram apanhados com droga quando se preparavam para embarcar para a Europa.

São conhecidas como as “mulas” e são aliciadas com férias pagas e milhares de euros por traficantes que as usam para carregarem a droga para a Europa.

Estudantes, universitários, desempregados e donas de casa estão entre o leque de portugueses preferidos para este tráfico em que as “mulas” transportam a cocaína em falsas barrigas de grávida, capas de livros, malas com fundo falsos e no próprio estômago… o limite é a imaginação.

“Até já encontrámos droga num cadáver de um bebé de meses que uma mulher transportava ao colo”, relata Jonas Williams da Polícia Federal do aeroporto.

 “Um colega meu estranhou que o bebé não chorava e foi ver, estava morto!”.


No Aeroporto Internacional de Guarulhos, em S. Paulo, mais de 1500 câmaras de vigilância seguem todos os movimentos das 40 milhões de pessoas que por lá passam todos os anos. Wagner Castilho, delegado da Polícia Federal do aeroporto, acredita que Lisboa é uma porta de entrada para a Europa:  “Este ano e até agora já apanhámos 125 mulas… é mais do que uma por dia!”.

O ano passado prenderam 394 passageiros com droga que se preparavam a embarcar em voos com escala em países europeus e muitos alertas são dados pelos próprios cães treinados.

“Uma vez decidimos fazer RX a todos os passageiros de um voo da TAAG para Luanda… apanhámos 22 com droga no estômago!”.


Alguns portugueses também engolem cápsulas de cocaína para viajar, como Manuel Valdemar que confessa já ter feito algumas viagens:  “Fui apanhado porque me denunciaram. Tenho a certeza que fui denunciado. Eu fiquei, mas alguém passou com droga!”.

As organizações criminosas usam algumas “mulas” como isco para entreter a polícia. Ana Cláudia, estudante universitária de 23 anos, conta a chorar que pensava que levava dois quilos de cocaína na mala mas, quando foi apanhada pela Polícia Federal, tinha quase sete quilos com ela:  “Eu não sou vítima nenhuma, mas fui usada porque eu fiquei e alguém passou e agora… só penso com que idade é que eu vou sair daqui!”.