As associações de pais denunciaram esta terça-feira pressões de escolas sobre os encarregados de educação para que estes alterem a opção de oferta formativa dos seus filhos do ensino profissional de regresso ao ensino regular.

A denúncia foi feita hoje pela Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), que apelou aos pais para que «não pactuem com essas escolas nem admitam esse tipo de pressões».

Os contactos telefónicos dos diretores das escolas aos pais referidos pela CNIPE surgem no seguimento da reorganização da rede escolar para o próximo ano letivo, anunciada às escolas na passada sexta-feira pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC), e que define cortes nas turmas no ensino regular e nas turmas de cursos profissionais e Cursos de Educação e Formação (CEF).

Rui Martins, dirigente da CNIPE, referiu ainda ter conhecimento de casos de alunos do 1º ciclo que estão a ser forçados a uma mudança de escola, e consequentemente de professor, em relação ao ano anterior.

«Estamos muito preocupados, notamos muita instabilidade nas escolas», disse.

Também a Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap), na sequência da redefinição da rede, que reduziu o número de turmas homologadas nas escolas, e, em consequência, o número de alunos que as podem frequentar, tem recebido diversas queixas.

Por exemplo, numa escola com 11 turmas de 7.º ano criadas pelas escolas, apenas seis foram homologadas pela DGEstE (Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares). Outro caso, em Alfândega da Fé, na região de Bragança, uma escola terá recebido da DGEstE a indicação para constituir uma turma com 45 alunos, em vez de os dividir em duas turmas de 20 e poucos.