A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou hoje que o inquérito aberto sobre os problemas na plataforma informática Citius visa investigar factos que poderão configurar a eventual prática de sabotagem informática.

 

Na sequência do relatório enviado pelo Ministério da Justiça sobre as falhas do Citius, a PGR indica, em comunicado, que «foi instaurado um inquérito com a finalidade de investigar os factos descritos naquela participação, os quais, de acordo com a mesma, poderão configurar a eventual prática de crime de sabotagem informática».

 

O gabinete de Joana Marques Vidal esclarece ainda que a atual diretora do Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, Maria José Morgado, «em momento algum da participação recebida do Ministério da Justiça é indicada como suspeita».

 

Lembra que o inquérito se encontra em investigação e em segredo de justiça.

 

Já esta quinta-feira, a ministra da Justiça tinha sublinhado que enviou o relatório sobre a plataforma informática Citius para a PGR para que fosse «ponderada» a possibilidade de instauração de um inquérito, e apelou «à diminuição da criatividade» nesta matéria.

 

«O relatório que foi entregue ao Governo, isto é, que me foi entregue a mim e ao secretário de Estado [que tutela o Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça], continha um conjunto de factos. Perante esse conjunto de factos, decidi enviar, e é isso que consta do meu despacho, para a Procuradoria-Geral da República o referido relatório, com o objetivo de que fosse ponderado - eu sublinho, ponderado - a possibilidade de se instaurar um inquérito», afirmou a ministra.

 

Paula Teixeira da Cruz falava aos jornalistas à saída do debate sobre o Orçamento do Estado para 2015, na Assembleia da República, em Lisboa.

 

Recorde-se que nos últimos dias, foram avançadas várias notícias, por diferentes órgãos de comunicação social, que davam conta de que o Ministério da Justiça não tinha sido informado dos erros detetados no programa informático. E que dois técnicos da Polícia Judiciária, em comissão de serviço na Justiça, não teriam avisado a tutela, mas teriam avisado a diretora do Departamento de Investigação e Ação Penal, Maria José Morgado. Há ainda notícias que garantem que estes dois elementos da PJ estiveram a ser vigiados durante um mês.