Desde 2011 que não se esperava tanto por uma cirurgia. No ano passado, a mediana do tempo de espera da lista de cirurgia foi de 3,3 meses, o valor mais elevado em seis anos, refere o Jornal de Notícias.

Em declarações à Lusa, Ricardo Mestre, da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), diz que os tempos de resposta em 2016 se mantiveram “à volta dos 3 meses, como acontecia habitualmente”, e sublinha que “os tempos de resposta para os mais prioritários melhoraram”.

Em 2016, 22 mil utentes foram inscritos e operados no mesmo dia, passando à frente destas listas de espera.

No entanto, segundo comunicado da ACSS, o número de utentes que foram inscritos e operados no mesmo dia "registou o valor mais baixo de sempre em 2016", "totalizando cerca de 3,8% dos utentes operados".

Feitas as contas, no fim do ano, mais de 210 mil pessoas aguardavam cirurgia, sendo que cerca de 31 mil fizeram-na fora do prazo máximo definido por lei, correspondendo a 14,8% dos casos.

Ainda assim, 2016 foi também o ano em que se realizaram mais cirurgias: quase 570 mil, o que significa mais 1,5% do que no anterior. No entanto, o aumento não foi suficiente para responder ao elevado número de utentes em lista de espera.

Ao JN, o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, pediu uma investigação e um controlo apertado aos hospitais, para evitar que parte dos doentes inscritos e operados no mesmo dia furem as prioridades das listas.

Já a ACSS garante que "as intervenções cirúrgicas no SNS são realizadas de acordo com critérios claros, transparentes e escrutináveis, que consideram a prioridade clínica e a antiguidade da inscrição em lista".

"Estas situações correspondem a situações específicas, em que as direções clínicas dos serviços autorizam as intervenções cirúrgicas por razões pontuais e concretas, como seja a rentabilização dos tempos disponíveis para utilização dos blocos operatórios, por exemplo."

O responsável da ACSS que falou à Lusa considerou ainda que a portaria aprovada este ano que reduz os tempos máximos de resposta garantidos para os casos de prioridade normal (de 270 para 180 dias) e que entra em vigor em janeiro de 2018 vai trazer “maior equidade”.

“Mantendo a mediana em cerca de 3 meses, esta medida vai trazer maior equidade entre os utentes nas listas”, defendeu.