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Hospital de Santo António faz cirurgia inovadora

Médicos realizaram a primeira estimulação cerebral profunda a uma doente com distonia, doença que provoca movimentos involuntários e que pode ser incapacitante

Por: Redacção / TG    |   2009-04-17 12:15

O Hospital de Santo António, no Porto, anunciou esta sexta-feira ter realizado a sua primeira cirurgia de estimulação cerebral profunda a uma doente que sofre de distonia, doença que provoca movimentos involuntários e que, em casos extremos, é totalmente incapacitante, informou a Lusa.

Segundo o neurologista da unidade de saúde, Alexandre Mendes, «este tipo de cirurgia permite melhorar consideravelmente a qualidade de vida dos doentes que sofrem desta patologia, designadamente pacientes com tipos de distonia incapacitantes e sem melhoria com a terapêutica medicamentosa».

«A doente sujeita a esta cirurgia, com cerca de 40 anos, tem marcada dificuldade em realizar actividades do quotidiano, como por exemplo comer ou beber, e muitas dificuldades nas tarefas profissionais, que esperamos poder melhorar de forma significativa com esta cirurgia», referiu o especialista.

Doença do foro neurológico

Alexandre Mendes explicou que a cirurgia consiste na implantação de «um dispositivo neuroestimulador que permite a estimulação eléctrica de estruturas bem definidas do cérebro. Para o tratamento da distonia são estimulados os núcleos que se localizam numa zona profunda de cada um dos hemisférios cerebrais e que participam no controlo da função motora».

A distonia é uma doença do foro neurológico, crónica e incapacitante, que se caracteriza por contracções musculares involuntárias que causam movimentos espasmódicos e posturas anormais.

Pode afectar qualquer parte do corpo, designadamente pernas, braços, tronco, pescoço, face e cordas vocais. Algumas das formas de distonia são muito incapacitantes, podendo tornar o doente dependente de ajuda para as actividades diárias.

Anualmente dez novos casos em Portugal

A primeira cirurgia realizada em Portugal a um doente com distonia foi efectuada, no Hospital de S. João, no Porto, em Dezembro de 2005.

A nível mundial, estas intervenções cirúrgicas iniciaram-se em 2000.

Apesar de não existirem dados concretos, estima-se que surjam anualmente dez novos casos desta doença em Portugal.

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