O Centro Hospitalar do Algarve (CHA) admitiu esta sexta-feira "constrangimentos" na urgência da Cirurgia Geral, que justificou com o facto de três médicos do serviço se terem recusado a fazer trabalho extraordinário e de um outro ter pedido rescisão de contrato.

Em causa está a alegada "rutura" da Cirurgia Geral nos hospitais algarvios, situação para a qual o conselho distrital do Algarve da Ordem dos Médicos (OM) alertou na quinta-feira e que estaria a pôr em causa a realização de cirurgias de urgência, podendo ainda obrigar à transferência de doentes para outros hospitais.

Em comunicado, a administração do CHA acusou aquela estrutura de utilizar "situações pontuais", que acontecem quando há "carências de recursos humanos" para "jogos de natureza política", defendendo que os profissionais de saúde dos três hospitais algarvios têm assegurado "de forma exemplar" a assistência aos utentes, no "intenso período de verão que sobrecarregou a região".

"A informação agora divulgada pela Ordem dos Médicos resultou de uma situação pontual relacionada com o facto de três médicos do serviço terem optado por não efetuar trabalho extraordinário e um outro médico ter solicitado rescisão de contrato, factos esses que naturalmente causaram constrangimentos nas equipas de urgência em que os mesmos se encontravam integrados", lê-se no comunicado.


A situação, acrescenta o CHA, foi "prontamente resolvida" através do apoio de dois médicos-cirurgiões da unidade de Portimão, que reforçaram as equipas de urgência de Cirurgia Geral de Faro, uma resposta "só possível pela articulação entre as três unidades hospitalares que integram o Centro Hospitalar do Algarve".

A administração do CHA refutou ainda as acusações da Ordem dos Médicos de incapacidade para fixar profissionais, argumentando que as dificuldades inerentes à captação e fixação de médicos no Algarve "são uma das grandes preocupações" da administração.

Segundo o CHA, é "imperioso" haver uma discriminação positiva para o Algarve no que respeita a incentivos para a fixação de médicos, o que já está a ser concretizado para as especialidades de Ortopedia, Pediatria e Medicina Interna.

Ainda de acordo com a OM, os problemas na especialidade de Cirurgia Geral arrastam-se há dois anos e terão começado com a perda de idoneidade formativa em cirurgia na unidade de Faro.