O corpo do ator Nuno Melo, que morreu na terça-feira, aos 55 anos, vai estar a partir das 16:00 desta quarta-feira na Igreja S. João de Deus, em Lisboa, disse à Lusa fonte da família.

O funeral de Nuno Jorge Lopes de Melo Cardoso, nascido a 08 de fevereiro de 1960, em Castelo Branco, parte, na quinta-feira, às 09:00, daquela igreja na Praça de Londres para o cemitério do Alto de S. João, onde o corpo será cremado, acrescentou a mesma fonte.

Antes do funeral de Nuno Melo, que morreu vítima de cancro no fígado, será celebrada missa no Centro Paroquial de S. João de Deus.

O ator começou a trabalhar no teatro em 1981 no Teatro de Animação de Setúbal (TAS), passando depois por companhias como o Teatro da Cornucópia, ou Teatro Aberto ou os Artistas Unidos.

A partir do trabalho em "Chuva na Areia" (RTP 1984), em que interpretou a personagem "Caniço", tornou-se uma presença regular na televisão, em telenovelas, no trabalho com Herman José ("Casino Royal", "Crime na Pensão Estrelinha") e na série "Camilo e Filho", depois de já ter participado em "Vila Faia" (1982).

No cinema trabalhou com realizadores como Manoel de Oliveira, Eduardo Guerra, Edgar Pêra, João Botelho, José Nascimento.

Entre trabalhos mais recentes de Nuno Melo, no teatro, contam-se "Plume", de Henry Michaux, peça levada à cena no Teatro da Cornucópia, e "O beijo da mulher aranha", no Teatro Nacional D. Maria II.

Nos palcos destacam-se igualmente "Nunca nada de ninguém", de Luísa Costa Gomes, no âmbito do antigo Serviço de Animação, Criação Artística e Educação pela Arte (Acarte), da Gulbenkian, "Sabor a Mel", de Shelagh Delaney, com encenação de João Lourenço, e "Sonho de uma noite de Verão", de Shakespeare, sob direção de João Perry.

"Demónios", de Lars Norén, "A Hora em que Não Sabíamos Nada Uns dos Outros", de Peter Handke, "Os Visitantes", de Botho Strauss, e "Frei Luís de Sousa", de Almeida Garrett, são outras das peças no percurso do ator.
 

Nuno Melo: as cenas que não vamos esquecer


Interpretou ainda peças de Harold Pinter, Nobel da Literatura, Anthony Neilson, Joe Orton e dos Irmãos Presniakov, em encenações de Artur Ramos, Solveig Nordlund e Jorge Silva Melo, entre outros.

Nuno Melo entrou em filmes como "A Divina Comédia" e "Dia do Desespero", de Oliveira, "Tráfico", de João Botelho, "O Crime do Padre Amaro", de Carlos Coelho da Silva, "Estrada de Palha", de Rodrigo Areias.

Em 2012, foi distinguido como melhor ator de cinema, pela Sociedade Portuguesa de Autores, pelo desempenho no filme "O Barão", de Edgar Pêra, um guião de Luísa Costa Gomes baseado no romance homónimo de Branquinho da Fonseca. O mesmo filme garantiu-lhe o Globo de Ouro de Melhor Ator, nos Globos de Ouro na SIC.

Depois de "O Barão", a parceria com Edgar Pêra estendeu-se a um desempenho na comédia "Virados do avesso", estreada no final do ano passado, e estava prevista a associação ao próximo projeto do realizador.

Em televisão, Nuno Melo trabalhou com Herman José no programa "Casino Royal" e na série "Alentejo Sem Lei".

Participou nas séries "Camilo e Filho" e "Clube dos Campeões", na qual interpretava Deolindo Durão, um mecânico antipático, que era constantemente bombardeado por bolas de um clube de futebol vizinho da sua oficina, assim como no programa Malucos do Riso, projeto do qual o ator viria a revelar de que não gostou.

Entrou na telenovela brasileira "Senhora do Destino" (2004/2005), da TV Globo, em "Vingança" (2005/2006) e "Resistirei" (2007), da SIC, na série histórica "Equador" (TVI, 2008), baseada na obra de Miguel Sousa Tavares, assim como nas produções "Flor do mar" e "Morangos com açúcar", deste canal.

Em 2007 foi distinguido com o Prémio Prestígio, atribuído pela RTP, durante o Lisbon Village Festival.

Nuno Melo tem uma filha, nascida em 1987.