As 35 crianças de um acampamento cigano de Darque, na cidade de Viana do Castelo, receberam esta quarta-feira pela primeira vez a visita de um pai Natal, com direito a prendas, mesmo vivendo sem água ou eletricidade.

Neste acampamento, em que 38 famílias estão instaladas em barracas construídas em madeira, vivem atualmente cerca de 200 pessoas. Foi instalado há cerca de 50 anos num terreno da freguesia de Darque, mas ninguém parece conhecer os proprietários.

As famílias que ali residem, que se dedicam sobretudo à compra e venda de sucata, vão crescendo de ano para ano, mas nunca conseguiram garantir as mínimas condições de sobrevivência, desde logo pela falta de legalização do espaço.

Numa iniciativa da Cáritas diocesana de Viana do Castelo e do secretariado diocesano da mobilidade humana, duas instituições da Igreja Católica local, um Pai Natal visitou hoje aquele acampamento, distribuindo presentes pelas 35 crianças, entre os quatro meses e os 12 anos, que ali vivem.

«Foi uma forma de dar uma alegria às crianças, nunca tiveram uma coisa assim. Ficaram todas contentes por vir o pai Natal aqui», apontou à Lusa André Maia, porta-voz deste acampamento e um dos mentores da iniciativa inédita.

A chegada do Pai Natal representou, garante este elemento da comunidade de etnia cigana local, um dia «especial» para as crianças, que receberam presentes como bonecas, jogos ou carros de corridas no templo do acampamento, praticamente o único edifício com condições de habitabilidade.

«As crianças, quando chegam da escola, querem fazer os trabalhos de casa e não podem, porque não têm luz. Precisávamos mesmo era de ter agua e eletricidade», admite André Maia.

As prendas hoje distribuídas resultaram de compras da Cáritas e de doações - presentes novos - da população.

O bispo de Viana do Castelo, Anacleto Oliveira, marcou presença nesta «pequena festa» realizada no acampamento, assumindo o «lamento» pelas condições em que esta comunidade ainda hoje vive.

«Não é qualquer intenção proselitista que nos traz aqui. Até estamos num espaço que foi construído e é usado por outra confissão religiosa [o templo], mas a nós não nos move qualquer tentativa para angariar mais membros para a Igreja e sim as necessidades dos outros», explicou Anacleto Oliveira.

O bispo chegou mesmo a entregar alguns dos presentes às crianças do acampamento.

«Se for para fazer estas pessoas felizes, nem que seja por umas horas, estamos sempre disponíveis», garantiu.