A Câmara Municipal de Loures explicou esta quarta-feira que a sua política de realojamento social passa por manter as famílias perto da antiga habitação, de forma a evitar guetos.

«No nosso município é impensável fazer um bairro para cada uma das comunidades, pois estar-se-ia a criar autênticos guetos», sublinhou o vereador com o pelouro da Habitação na Câmara Municipal de Loures, João Pedro Domingues.

As declarações do vereador surgem na sequência de um relatório parlamentar publicado esta terça feira, que recomendava que as famílias ciganas deviam ser realojadas de forma dispersa pela malha urbana em vez de serem concentradas em bairros sociais, de forma a promover a sua integração na comunidade onde iam ser inseridas.

Embora a autarquia de Loures partilhe das recomendações expressas no relatório parlamentar e até tente seguir algumas dessas indicações, João Pedro Domingues esclarece que por vezes essa vontade é difícil de concretizar.

«Já existiram situações em que o município adquiriu fogos dispersos para fazer realojamento, mas infelizmente essa situação é esporádica, uma vez que estamos também dependentes do mercado imobiliário», explicou.

Existe no concelho de Loures, mais propriamente na freguesia de São João da Talha, um bairro habitado só por famílias ciganas (Cida Talha), no entanto o vereador explica que a ideia nunca foi construir um bairro só para famílias ciganas, e que tal veio a acontecer porque as famílias que a autarquia pretendia realojar naquela zona eram todas de etnia cigana.

«A nossa política social não visa descriminar ninguém. Quando efectuamos um realojamento a nossa preocupação é não desenraizar ninguém e permitir que as pessoas permaneçam próximas dos locais onde estudam e de onde trabalham», explicou.