A alta-comissária para a Imigração afirmou esta terça-feira que, pelas informações que dispõe, a opção da Escola de Barqueiros (Barcelos) de concentrar jovens de etnia cigana numa única turma terá sido uma decisão tomada em conjunto com os pais, escreve a Lusa.

À margem da apresentação do relatório da comissão parlamentar de Ética, Sociedade e Cultura das audições sobre portugueses ciganos, Rosário Farmhouse referiu ainda estar a aguardar informação mais detalhada do Ministério da Educação (ME) sobre o caso, considerando que, se os dados de que dispõe se confirmarem, «trata-se de um caso intermédio de integração».

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«De futuro, o ideal é que as crianças se possam misturar. Se esta é a solução imediata [encontrada pela Escola de Barqueiros] temos de aceitá-la», afirmou a alta-comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural, explicando que a situação afecta jovens de etnia cigana com idades superiores às das outras crianças naquela escola, que está em fase de mudança.

As afirmações de Rosário Farmhouse surgem na sequência das declarações do vice-presidente do Centro de Estudos Ciganos, Bruno Gonçalves, que classificou de «intolerável» o facto de uma turma de alunos ciganos daquela escola estar em aulas separadas num contentor.

«Só depois de ter dados mais concretos é que saberei se [os jovens] estão numa situação menos conveniente e cómoda. Estou convicta de que há uma razão para estarem a ter aulas num pré-fabricado e que não é propositado. Mas estou à espera que o ME confirme», sublinhou a alta-comissária.

Fase de regulamentação

Quanto à figura dos mediadores, Rosário Farmhouse lembrou o lançamento do projecto de mediadores municipais ciganos do Alto-Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI), que está em fase de regulamentação, tendo já algumas autarquias mostrado algum interesse na iniciativa.

«São figuras fundamentais para criar pontes entre as duas comunidades», salientou a responsável, reconhecendo ser «verdade que ainda há muito para fazer quanto aos mediadores socioculturais» e que «muitas vezes o problema está no pontapé de saída».

«É por isso que no novo projecto os mediadores vão ser acompanhados desde o início e também durante a sua inserção nas autarquias durante um ano», adiantou, explicando que estes irão trabalhar em áreas como a educação, habitação e saúde.

A alta-comissária referiu ainda que há uma «compreensão actual de que este é o caminho certo», exemplificando como boas práticas actuais de mediadores a Câmara de Beja e a Gebalis, empresa municipal responsável pela gestão dos bairros camarários de Lisboa.