Por: tvi24 | 2- 8- 2010 19: 0
A União Romani Portuguesa, que representa a comunidade cigana em Portugal, afirmou esta segunda-feira estar «perplexa»
e «altamente preocupada» com as medidas anunciadas pelo Governo francês de Nicolas Sarkozy visando a comunidade naquele país,
noticia a Lusa.
A organização diz, numa nota enviada à agência Lusa, que os seus membros estão «perplexos pela forma
como o Governo francês procura resolver uma questão de ausência de políticas direccionadas à educação, saúde, habitação, justiça,
aspectos sociais (...) com a forma mais fácil da sua resolução que é centrar-se na "expulsão" de uma comunidade».
O
ministro do Interior francês, Brice Hortefeux, anunciou na semana passada um conjunto de medidas contra a violência entre
a comunidade cigana, depois dos incidentes de 16 de Julho em que um grupo de 50 pessoas atacou a esquadra de Saint Aignan,
no centro de França, em protesto contra a morte de um jovem às mãos da polícia.
As medidas incluem o desmantelamento
nos próximos três meses de 300 dos 600 acampamentos ilegais que existem actualmente em todo o país e a possibilidade de expulsar
os ciganos ¿ alguns de nacionalidade comunitária ¿ que cometam delitos contra «a ordem pública».
«O Governo francês
torna letra morta a carta europeia assinada em Paris em 1991 a qual consagrava direitos às minorias e principalmente à comunidade
cigana», defendeu a União Romani Portuguesa, salientando que a comunidade em França integra «entre 15 e 20 mil pessoas enquanto
famílias francesas e cerca de 400 mil enquanto nómadas».
Na mesma declaração, a organização afirmou estar «altamente
preocupada» com a situação, que classifica como «um ataque» do Governo francês, mas também «pelo desresponsabilizar da Comissão
Europeia» face uma realidade «que se vislumbra num novo episódio de ódio a recordar-nos os tristes tempos hitlerianos».
«Uma
eventual não tomada de posição por instâncias internacionais perante este descalabro, poderá conduzir inevitavelmente à propagação
destes actos por outros países da Europa e colocar na ordem do dia enormes conflitos sociais que de todo poderão ser evitáveis»,
referiu a organização.
A União Romani Portuguesa manifestou ainda a sua solidariedade com a comunidade cigana residente
em território francês, concluindo que irá seguir «com a maior atenção o desenrolar dos acontecimentos» e tentar encontrar,
em conjunto com outras organizações internacionais, formas para evitar o avanço das medidas do Governo francês.
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