A Associação dos Urbanistas Portugueses (AUP) afirmou, esta terça-feira, que deveria haver uma «gestão da câmara municipal mais ativa» para prevenir inundações em Lisboa, nomeadamente ao «não impermeabilizar tanto o solo e ter cuidado com a orografia».

Em declarações à agência Lusa, Rui Florentino, da direção da AUP notou que os repetidos danos causados às pessoas e bens «são consequência de alguma falta de planeamento e urbanística ativa».

«A gestão da câmara municipal pode ser mais ativa, no sentido de prevenir este tipo de acontecimentos, como não impermeabilizar tanto o solo e ter cuidado com a orografia de Lisboa para saber quais os pontos sensíveis e mais ameaçados», comentou o arquiteto.

Rui Florentino explicou que a impermeabilização nas ruas, no espaço público e edifícios «dificulta a passagem da água para o subsolo e canaliza muito a água para zonas que enchem mais do que o poderia ser natural».

Para melhorar o escoamento, o responsável referiu que deveria existir maior retenção das águas a montante e nas zonas mais altas.

Também a Associação de Dinamização da Baixa Pombalina alertou a Câmara Municipal de Lisboa para a necessidade de fazer um levantamento urgente do sistema de drenagem da cidade para prevenir inundações como as registadas na segunda-feira.

Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da Associação de Dinamização da Baixa Pombalina, Vasco Melo, disse que o que aconteceu segunda-feira na baixa da cidade «mostra que só o fenómeno natural não justifica o alagamento».

«As obras que fizeram recentemente nos coletores da baixa de certeza que também estão na origem do problema. Há três ou quatro anos houve umas cheias do género, em que ficaram alagados o Rossio e a Praça da Figueira, porque rebentaram coletores. Desta vez além destes (Hotel Mundial, Rua da Palma e Praça da Figueira) junta-se o da Rua das Pretas», relatou.

Na opinião de Vasco Melo, o problema tem de ser resolvido com urgência, uma vez que, com a chegada do inverno, vêm mais dias de chuva e a situação pode complicar-se.

«Acho que tem de ser feito com urgência um levantamento do estado de sistema de drenagem da cidade. (...). Os responsáveis da Câmara Municipal, da EPAL, e também quem fez as obras nos coletores da 24 de julho e de drenagem frente ao rio (Ribeira das Naus e Cais das Colunas), têm de fazer alguma coisa», disse.

O mesmo responsável disse que o mau tempo de segunda-feira provocou inundações em dezenas de lojas e armazéns, causando prejuízos avultados aos comerciantes.