A Associação de Técnicos de Segurança e Proteção Civil (ASPROCIVIL) alertou para a necessidade de se tomarem medidas preventivas para se evitarem situações de cheias.

«Nada justifica isto a não ser a incúria», disse à Lusa o presidente da ASPROCIVIL, Ricardo Ribeiro, no dia em que, na sequência de chuvas fortes, se registaram inundações em várias localidades do país.

A associação emitiu um comunicado no qual estranha que o Estado, Câmaras Municipais e proprietários em geral não tomem medidas básicas para condicionar as consequências do mau tempo

«Sabendo nós que tivemos um verão excecionalmente alargado, obviamente se previa o amontoar de resíduos e sobrantes decorrentes do próprio verão, sendo por isso necessário proceder urgentemente à limpeza de valas, ribeiros, ribeiras, caleiras, redes de águas fluviais e outros, de forma a garantir o melhor escoamento das águas da chuva», diz o comunicado.

Mas nada foi feito, diz Ricardo Ribeiro, que garante que a associação se vê na obrigação de, todos os anos, nas primeiras chuvas, enviar um comunicado quase sempre igual.

«Não temos uma cultura de prevenção nem de planeamento, o ordenamento do território não é feito tendo em conta a tipologia de riscos», diz, acrescentando que a chuva das últimas 24 horas foi «normal» e que teme que haja um dia uma situação extrema, para a qual o país não está preparado.

Por todo o país, adianta, há ausência de cartografia de risco, do cumprimento dos planos diretores municipais, do respeito pelas linhas de água, e também não se alertam os proprietários para a necessidade de prevenção. «Há uma completa disfunção entre a cultura de prevenção e a realidade», avisa.

E diz ainda que situações como as das últimas 24 horas vão continuar todos os anos, porque «enquanto não houver 30 ou 40 mortos ninguém faz nada», lamenta.

A associação pede «atenção especial» para zonas consideradas de cheias e para ribeiras com características torrenciais, «onde a construção desordenada e/ou a impermeabilização dos solos podem potenciar desastres com consequências graves para as comunidades envolventes».