O mau tempo que se verificou esta quinta-feira no Norte e Centro causou diversos estragos nestas regiões do país.

No distrito de Vila Real, a chuva intensa e a queda de granizo provocaram inundações em estabelecimentos comerciais e em casas particulares e arrastaram detritos para as estradas.

“Foi uma coisa impressionante, como eu nunca vi. Na vila chegamos a ter 15 centímetros de água nas ruas ”, afirmou o presidente da Câmara de Mesão Frio, Alberto Pereira.

Esta tarde choveu com intensidade em pelo menos seis concelhos do distrito de Vila Real, nomeadamente Alijó, Sabrosa, Mesão Frio, Santa Marta de Penaguião, Vila Real e Vila Pouca de Aguiar.

Alberto Pereira foi para o terreno avaliar os estragos provocados pelo mau tempo e, segundo descreveu, “está tudo um pandemónio”.

Casas com água a entrar, estradas cortadas, está tudo muito complicado. Andamos com cerca de 10 equipas no terreno a ver o que podemos resolver”, salientou.

O autarca falou em “estragos significativos”, mas adiantou que só na sexta-feira é que conseguirá ter “a real dimensão do que aconteceu”.

Ao lado, no concelho de Santa Marta de Penaguião, as preocupações viram-se para a vinha da Região Demarcada do Douro devido à queda de granizo.

Eram pedras do tamanho de cerejas. Caiu granizo durante cerca de 10 minutos mas com muita intensidade”, afirmou o presidente da junta de Fontes, Hugo Sequeira.

O autarca disse que, neste momento, “ainda não há uma noção dos estragos”, mas, adiantou que “os agricultores estão muito preocupados”. “Numa primeira impressão é muito mau”, frisou.

Nesta freguesia, houve ainda registo de inundações em habitações e estradas condicionadas devido ao arrastamento de terras.

No Pinhão, concelho de Alijó, foi afetada a principal avenida da vila e a zona ribeirinha.

O responsável pela proteção civil municipal, José Carlos Rebelo, disse à agência Lusa que se verificaram “quedas de terras e muita água acumulada”, afetando a zona da estação ferroviária e provocando inundações em casas comerciais e particulares.

Para o local foram mobilizados 25 operacionais e nove viaturas.

Em Sabrosa, segundo o presidente da câmara, Domingos Carvas, o mau tempo afetou principalmente o centro da vila, onde se registaram várias inundações de casas particulares e comerciais. O autarca referiu que irá para o terreno fazer um levantamento dos estragos.

A chuva foi descendo para Vila Real, onde provocou também constrangimentos em algumas artérias da cidade, levantou tampas de saneamento e pequenas inundações.

Borges Machado referiu que, inclusive, no edifício do antigo Governo Civil de Vila Real, e onde está instalado o Centro Distrital de Operações de Socorro, se verificou uma pequena inundação.

As equipas da proteção civil e os bombeiros estão no terreno a proceder a operações de limpeza.

Inundações em Lousã e Miranda do Corvo

A chuva forte, as trovoadas e a queda de granizo também causaram inundações na Lousã e em Miranda do Corvo, tendo destruído culturas agrícolas, disseram fontes da Proteção Civil à agência Lusa.

Uma fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Coimbra informou que o mau tempo originou inundações na via pública, nos dois concelhos do distrito de Coimbra, além de ter inundado também uma habitação, na Lousã.

Os primeiros alertas para as anomalias foram registados cerca das 16:45, meia hora depois de a chuva ter começado a cair com intensidade, sobretudo nas povoações junto à Serra da Lousã.

Nas Fontaínhas, lugar da freguesia das Gândaras, no concelho da Lousã, o temporal "derrubou seis árvores", que na queda arrastaram cabos elétricos da rede pública, segundo a fonte do CDOS.

A Lusa verificou na zona que diversas hortas, vinhas, pomares e batatais foram destruídos pelo granizo e que a água inundou diversos campos.

"O grande problema foi a destruição na agricultura", disse o responsável da Proteção Civil Municipal de Miranda do Corvo, Fernando Jorge.

A água arrastou granizo para as zonas baixas e nalgumas povoações a quantidade de gelo acumulado "chegou a ter meio metro" de espessura, acrescentou Fernando Jorge, que é também comandante dos Bombeiros Voluntários desta vila.

Góis: depois dos incêndios...

Em Góis, distrito de Coimbra, uma ribeira inundou duas casas na localidade de Álvares, obrigando a Câmara Municipal a rebentar um dique para evitar danos mais graves, disse à agência Lusa a autarca, Lurdes Castanheira.

Na sequência das fortes chuvadas que caíram durante a tarde na zona da Serra da Lousã, a enxurrada na ribeira do Sinhel galgou as margens na praia fluvial de Álvares e inundou uma casa habitada e a garagem de outro edifício.

A força da torrente de água, lama e pedras que desceu das encostas foi anómala devido à intensa pluviosidade na região, geralmente associada a trovoada e granizo, mas também pelo facto de os espaços florestais de Álvares terem sido devastados por um incêndio, em meados de junho.

Com o nível das águas a subir naquele afluente do rio Unhais, entre as 17:00 e as 18:00, os serviços municipais "tiveram de rebentar o dique para que mais casas não fossem inundadas", informou Maria de Lurdes Castanheira.

A presidente da Câmara de Góis, no distrito de Coimbra, disse que a cheia danificou também duas eletrobombas do sistema de abastecimento público, deixando "cerca de uma centena de pessoas sem água" nas próximas horas, na sede da freguesia de Álvares.

Uma brigada da Câmara Municipal encontra-se no local. Vamos tentar repor a normalidade no abastecimento de água durante a noite", disse.

A área verde da praia da ribeira do Sinhel esteve também inundada durante algum tempo e os Bombeiros Voluntários de Álvares tiveram de intervir.

O mau tempo, com trovoadas e granizo, causou igualmente inundações e derrubou árvores nos municípios vizinhos da Lousã e de Miranda do Corvo, tendo destruído culturas agrícolas, disseram fontes da Proteção Civil.

O mau tempo originou inundações na via pública, nestes dois concelhos, além de ter inundado uma habitação na Lousã.

A agência Lusa verificou na zona que diversas hortas, vinhas, pomares, milheirais e batatais foram destruídos pelo granizo e que a água inundou diversos campos.

Pinhão alagado

Trinta e seis bombeiros foram mobilizados para as operações de limpeza na zona do Pinhão, Alijó, distrito de Vila Real, onde uma enxurrada provocou inundações, arrastou terras e pedras para a rua principal e originou danos nas vinhas e olivais.

O vice-presidente da Câmara de Alijó, José Paredes, disse à agência Lusa que a chuva “muito forte” que caiu ao final da tarde de hoje inundou a parte baixa da vila do Pinhão, junto ao rio Douro.

Arrastou imensos detritos, terras e pedras, inundou algumas casas e a estação de caminhos-de-ferro”, descreveu.

Para o local foram mobilizados 36 bombeiros das corporações do concelho, designadamente Pinhão, Alijó, Sanfins do Douro e Cheires, e onde, segundo José Paredes, se está “a terminar a operação de limpeza”.

O autarca disse ainda que o mau tempo, nomeadamente o granizo, provocou também estragos em vinhas e olivais, principalmente nas localidades de Casal de Loivos e Vilarinho de Cotas.

Ainda não temos uma noção da dimensão, mas sabemos que foram 10 minutos de granizo de grande dimensão que terá, necessariamente, provocado bastantes estragos a nível da produção na vinha e nos olivais”, referiu.

A chuva intensa, acompanhada de granizo, atravessou hoje o distrito de Vila Real, provocando várias ocorrências, principalmente a nível de inundações e condicionamentos de estradas, nos concelhos de Vila Pouca de Aguiar, Vila Real, Alijó, Sabrosa, Santa Marta de Penaguião, Peso da Régua e Mesão Frio.