Chuva é coisa que não falta nas duas últimas semanas, mas os níveis de água das barragens estão a ser repostos ainda a um ritmo "bastante lento" no Sul do país, segundo oministro do Ambiente. Por isso, é preciso ainda ter cuidado com o consumo de água.

"Temos que separar o país ao meio. A norte do rio Tejo, as barragens estão muito próximas da sua capacidade máxima e algumas já a atingiram", explicou João Pedro Matos Fernandes, aos jornalistas, à margem de uma conferência sobre alterações climáticas organizada pela Ordem dos Engenheiros.

No sul, embora esteja a haver "encaixes de água a cada dia", ainda há situações preocupantes. Exemplo disso é a barragem de Monte da Rocha, no concelho de Ourique, que abastece "um conjunto vasto de habitantes", e que ainda está com apenas 9,6 por cento da capacidade.

O solo estava muito seco e absorveu muita água"

Embora as previsões meteorológicas sejam de mais chuva, "a preocupação com a seca e a responsabilidade de cada um não se altera em nada", salientou.

A água vai ser cada vez mais escassa. Agricultores, industriais e cidadãos urbanos têm mesmo que consumir menos água".

João Pedro Matos Fernandes apontou que a campanha contra o desperdício é "independente do nível de água nas albufeiras". "As restrições podem colocar-se. Para que isso não aconteça temos mesmo que poupar água", reiterou.

Ontem, a REN indicou que as barragens atingiram, na quarta-feira, um novo máximo histórico devido à chuva dos últimos dias, o que levou a um recorde na produção de eletricidade.

No final de fevereiro, cerca de 9% do país estava em seca extrema e 77% em seca severa. Os meses de março e abril são, normalmente, chuvosos, o que deve melhorar a situação. E, de facto, o mês de março está a ser bastante chuvoso. De qualquer modo, pode não ser suficiente. O IPMA já avisou que para a situação de seca terminar, idealmente, era preciso que chovesse "todos os dias em março e abril".