O presidente da Câmara de Albufeira estimou em “largos milhares de euros os prejuízos" causados pelas inundações, adiantando que, "para já", não irá avançar com o pedido de calamidade pública.

De acordo com Carlos Silva e Sousa, "os danos abrangem redes de esgotos, águas e eletricidades, estradas e ruas, um pouco por todo o concelho, e praias também".

O presidente da autarquia indicou ainda que as pessoas que ficaram sem habitação foram realojadas temporariamente, não havendo qualquer situação pendente.

No centro da cidade de Albufeira, a zona mais atingida pelas fortes chuvas e onde a água atingiu cerca de 1,80 metros de altura, as equipas de limpeza e os comerciantes tentavam hoje de manhã remover lamas e objetos arrastados pela corrente.

As lojas do centro estão fechadas e, em algumas delas, trabalhadores e funcionários procedem à limpeza e retirada dos objetos.

As equipas de Proteção Civil mantiveram-se no terreno durante toda a noite, na tentativa de repor a normalidade, dando especial atenção à baixa da cidade, onde hoje de manhã ainda continuavam bem visíveis os mais variados objetos, desde mesas, cadeiras, a sinais de trânsito e tudo aquilo que a água encontrou pela frente e arrastou.

Durante a noite, o nível das águas baixou, estando nesta altura visíveis as lamas e objetos.

O presidente da câmara prevê que a normalidade seja reposta nos próximos dias.
 

Ainda não foi feito o levantamento total dos estragos


O vice presidente da Câmara de Albufeira, José Carlos Rolo, admitiu esta segunda-feira à Lusa que podem estar reunidas as condições para fazer um pedido de calamidade pública, após dezenas de lojas na baixa terem ficado destruídas pelas inundações de domingo.

"Eventualmente, pela dimensão dos estragos causados pela chuva, podem estar reunidas as condições para fazer um pedido de declaração de calamidade pública".


O autarca frisou, contudo, que ainda não foi feito o levantamento total dos estragos causados pela chuva intensa que inundou dezenas de estabelecimentos na baixa de Albufeira, situação "ainda vai ser avaliada de forma criteriosa e objetiva".

Em declarações à Lusa, o presidente da Associação de Comércio e Serviços da Região do Algarve (ACRAL), Victor Guerreiro, salientou que a situação provoca um duplo prejuízo aos comerciantes, já que durante um período indeterminado de tempo estarão impedidos de realizar receita.

"Além do prejuízo direto causado pelas cheias, os comerciantes ainda têm que limpar, fazer obras e comprar novas máquinas, o que implica um tempo de fecho e de inoperacionalidade que vai impedir a recuperação de receita".


Segundo aquele responsável, os seguros nem sempre cobrem todos os estragos, pelo que aquela associação vai tentar obter apoios públicos para que os comerciante possam fazer face aos prejuízos.
 
"O que aconteceu é impressionante e, sem dúvida, ruinoso para os comerciantes", lamentou, lembrando, no entanto, que esta não é a primeira vez que a baixa de Albufeira sofre com as intempéries.

Asprocivil critica Proteção Civil 


A Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança e Proteção Civil criticou a Autoridade Nacional por não ter alterado domingo o estado de 'Alerta Especial Azul' no Algarve, que estava sob 'Aviso Vermelho' por previsão de chuva forte.

“A Asprocivil, não entende como é possível que a ANPC, tendo conhecimento da previsão de condições de Risco Extremo ('Aviso Vermelho', do Instituto Português do Mar e da Atmosfera) tenha mantido inalterado o estado de 'Alerta Especial Azul' para aquela região”.


Num comunicado enviado à agência Lusa, a Asprocivil refere que a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) devia ter aumentado o nível de alerta, já que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) tinha colocado sob 'Aviso Vermelho' - nível de situação meteorológica de risco extremo - o distrito de Faro, devido à previsão de chuva forte entre as 09:00 e as 15:00 de domingo.

Revela ainda a Asprocivil que a medida do IPMA alertou “o país e a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) de que haveria a previsão de Risco Extremo de ‘períodos de chuva forte e persistente’”.

No comunicado, a Asprocivil explica que, para a estrutura da Proteção Civil, o que conta “é o risco (definido em alertas pela ANPC) e não o perigo (definido pelo IPMA)”, considerando que a “omissão de decisão certamente levou a que a organização de Proteção Civil (Agentes da Proteção Civil: Bombeiros, Autoridades, Serviços Municipais de Proteção Civil ) demorassem mais tempo a responder operacionalmente ao evento que se abateu no sul do país”.



Desta forma, a associação apelou a que a Proteção Civil, em casos semelhantes - aviso de Risco Extremo - “avalie as vulnerabilidades do perigo apresentado pelo IPMA e defina o mais precocemente possível o risco, determinando o respetivo nível de alerta, seja em que dia, em que situação ou em que hora isto acontecer”.

A Asprocivil adianta que, segundo informação divulgada pelo IPMA, entre as 05:00 e as 14:00 de domingo “choveram 102 litros (média habitual seria de 90 litros) por metro quadrado”, acrescentando ainda de que “entre as 12:00 e as 13:00 foi a hora em que mais choveu”, sendo que os dados recolhidos indicam 20 litros por metro quadrado naquela hora.
 

Mau planeamento na construção responsável por cheias


O presidente da Associação de Comerciantes de Albufeira considerou que as inundações que no domingo devastaram a baixa da cidade se devem, em parte, ao mau planeamento na construção, que afetou o curso natural das linhas de água.

Em declarações à agência Lusa, Luís Alexandre disse que as condutas de águas pluviais colocadas na zona da baixa de Albufeira têm um diâmetro inferior ao que seria aconselhável, o que provoca o congestionamento das águas no seu curso natural para a praia, e, consequentemente, inundações.

"As últimas cheias de 2008 devem-se, também, ao facto de, não só o Polis, como a Câmara de Albufeira, terem instalado canos com diâmetros insuficientes, como, ainda por cima, terem construído paredes nas caixas de água para evitar que a água fosse para a praia", referiu, sublinhando que no domingo aconteceu o mesmo, só que "com um volume de água cinco vezes superior".

Segundo aquele responsável, tanto agora como em setembro de 2008, quando se verificaram cheias semelhantes na cidade, "a água bateu nessas paredes, não ia para a praia, mas voltou para trás e levantou as tampas, causando a inundação.

Luís Alexandre pediu à Câmara de Albufeira para que seja célere a transmitir uma mensagem aos comerciantes e também que seja implementado rapidamente um plano para que a cidade possa regressar à normalidade.

"Não vamos exigir que às primeiras horas tudo se resolva, mas tem de haver uma planificação para restituir a cidade ao funcionamento", considerou, acrescentando que é imperioso que Albufeira esteja pronta a receber os turistas na festa de fim de ano.

Segundo o empresário, a maior parte dos comerciantes não tem contratualizados seguros que cubram prejuízos causados por intempéries, tal como ele próprio, proprietário de vários estabelecimentos no concelho.

O presidente da Associação de Comerciantes de Albufeira sublinhou que os prejuízos são "avultadíssimos" e que existe, entre os comerciantes, um sentimento de "revolta" pelo facto de ainda não terem sido ressarcidos das últimas cheias de 2008.

"Neste momento existe uma enorme revolta e preocupação por parte dos comerciantes relativamente a obter respostas com alguma brevidade", concluiu.

A região do Algarve foi no domingo fustigada por chuvas intensas que provocaram inundações em vários concelhos, nomeadamente em Loulé, Albufeira, Portimão, Olhão e Silves.

Um dos casos mais problemáticos deu-se em Albufeira, onde a Proteção Civil teve que retirar pessoas de habitações e estabelecimentos comerciais inundados.

As cheias provocaram também um número indeterminado de desalojados em Albufeira.