O presidente da Parvalorem, Francisco Nogueira Leite, disse esta quinta-feira à Lusa que a empresa está a aguardar um contacto formal da leiloeira Christie`s para, em conjunto, tomarem uma decisão sobre os 85 quadros de Miró a leiloar.

«Nós aguardamos um contacto formal da leiloeira para conversarmos e tomarmos uma decisão sobre o assunto, que naturalmente terá de ser encontrada entre as partes», salientou à agência Lusa Francisco Nogueira Leite, explicando que os quadros continuam em Londres.

A leiloeira Christie`s afirmou-se na quarta-feira disposta a realizar o leilão dos 85 quadros de Miró, provenientes do antigo Banco Português de Negócios (ex-BPN), depois de resolvido o diferendo nos tribunais portugueses, na sequência de duas providências cautelares interpostas.

A declaração da leiloeira foi feita depois de o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, a ter responsabilizado pela gestão da venda - incluindo o processo de saída dos quadros de Portugal -, afirmando que o Governo permanecia decidido a vender «a curto prazo» as obras de Miró do ex-BPN.

«Nós já sabemos que a leiloeira está disposta a honrar o seu contrato noutra altura. Estamos disponíveis para falar sobre isso, mas, neste momento, não há nenhuma negociação em curso», sublinhou.

O presidente da Parvalorem, empresa estatal para a recuperação de créditos do antigo BPN, disse estar confiante de que haverá nos próximos dias uma conclusão sobre o assunto.

«É preciso manter toda a serenidade e toda a tranquilidade sobre isto, porque uma coisa são os factos e outra coisa são o que alguns jornais dizem», declarou à Lusa.

No que diz respeito à suspensão do leilão por parte da leiloeira, Francisco Nogueira Leite adiantou que a Parvalorem não vai pagar qualquer indemnização à Christie`s.

«Não há motivo para pagarmos o que quer que seja, uma vez que foi a leiloeira que suspendeu o leilão. Portanto, nesse contexto, não há qualquer motivo e nós não nos sentimos com obrigação de pagar o que quer que seja», frisou.

A Parvalorem referiu quarta-feira, em comunicado, que o contrato que tem com a Christie`s, diz ser competência da leiloeira «requerer e obter todas as licenças e autorizações necessárias para dar exequibilidade zelosa e cabal a todos os serviços contratados, nomeadamente no que diz respeito à exportação para venda, embalagem, recolha, transporte, depósito, exposição, leilão, venda e entrega das obras de arte ao respetivo comprador, não suportando estas Sociedades qualquer encargo».