Um grupo de 17 pessoas foi detido depois de ter sido apanhado num esquema que rendeu centenas de milhares de euros. O alvo da burla eram os cheques da Caixa Geral de Depósitos, titulados pela Segurança Social, e que eram dirigidos a vários beneficiários. A investigação demorou mais de um ano e a denúncia partiu do próprio Instituto da Segurança Social.

Segundo o comunicado da Polícia Judiciária, os arguidos começavam por assaltar a empresa onde os cheques eram imprimidos e envelopados. Depois, os cheques eram encaminhados por um intermediário para um falsificador. Este suspeito alterava os nomes dos verdadeiros beneficiários para os nomes de “mulas”, isto é, os nomes dos titulares das contas dos próprios membros da organização criminosa.

O passo seguinte era o depósito dos cheques, com os nomes falsificados, nas contas dos alegados criminosos. Os levantamentos das quantias eram feitos através de caixas multibanco ou da compra de moeda estrangeira que depois era vendida para a compra de euros.

Segundo a Polícia Judiciária foi assim que conseguiram os milhares de euros.

“Com este modo de atuação, os autores conseguiram recolher e distribuir entre si, montantes que ascendem a várias centenas de milhares de euros.”

Os detidos são onze homens e seis mulheres, com idades entre os 22 e os 69 anos, e são suspeitos de crimes de furto, violação de correspondência, falsificação de documentos, burla qualificada e branqueamento de capitais.

A megaoperação da Polícia Judiciária foi realizada em vários locais na zona da grande Lisboa e levou ao terreno 120 operacionais da PJ que cumpriram 27 mandados de busca, 22 a casas e cinco não domiciliárias.

Nas buscas, a PJ apreendeu computadores, telemóveis e material utilizado nas falsificações, bem como documentação relacionada com a atividade em investigação. Também foi apreendida uma pequena quantidade de cocaína, uma balança de precisão e produto de adulteração de estupefacientes.

A Segurança Social anunciou, entretanto, que as buscas tiveram origem numa denúncia apresentada pelo próprio instituto.

As diligências hoje efetuadas pelas entidades competentes, no âmbito de um processo que envolve a apropriação de cheques para pagamento de prestações devidas pela Segurança Social, tiveram origem em denúncia oportunamente apresentada por este instituto”, afirma o Instituto da Segurança Social (ISS) em comunicado.

O ISS sublinha ainda que “continuará empenhado no combate a todos os tipos de práticas que não estejam alinhadas com o seu Código de Ética ou que violem as normas que enquadram a atuação da Administração Pública, continuando a trabalhar em articulação com as entidades competentes”.