A tripulação do navio de combustíveis "Chem Daisy", que está retido no porto da Horta, nos Açores, desde 23 de maio, por ordem da capitania, abandonou na segunda-feira a embarcação, revelou esta terça-feira a autoridade portuária.

De acordo com o capitão do Porto da Horta, Diogo Vieira Branco, os sete elementos da tripulação que ainda se encontravam a bordo desde a detenção do navio decidiram abandonar o "Chem Daisy" e regressar aos países de origem.

"O facto de não haver tripulação a bordo é uma situação que traz algumas preocupações adicionais e que, naturalmente, implica um maior acompanhamento por parte da Capitania, da Portos dos Açores e da Polícia Marítima", admitiu Diogo Vieira Branco em declarações à Lusa.

O responsável adiantou que foi feita uma vistoria ao navio por parte de todas as entidades envolvidas, no sentido de avaliar eventuais riscos que o abandono poderá causar, dado que o agente de navegação, a ATRANS, também já tinha abandonado a embarcação a 21 de julho.

O navio, com pavilhão de Malta, foi detido por ordem da Capitania do Porto da Horta, por não cumprir algumas exigências, nomeadamente ao nível do sistema propulsor, que estará avariado, dificultando as manobras de atracação.

A embarcação, de 85 metros de comprimento, pertence a um armador turco e tinha sido contratada pela empresa de transportes marítimos Transinsular para assegurar o transporte de combustíveis inter-ilhas.

Desde a detenção do navio, o armador turco não só não resolveu as anomalias detetadas, como acabou por abandonar a tripulação, que à data já estava com três meses de vencimentos em atraso.

De acordo com Diogo Vieira Branco, "o navio ainda não pode ser dado, oficialmente, como abandonado", na medida em que a lei portuguesa determina que a figura de "abandono" só se aplica a uma embarcação que esteja há mais de 30 dias sem comandante e sem agente de navegação.

A autoridade portuária já tinha determinado, a 11 de julho, que fosse retirada toda a carga que se encontrava a bordo do "Chem Daisy" (450 toneladas de combustível), alegando "razões de segurança", mas, volvido este tempo, os riscos continuam.

"Não vou dizer que estou completamente descansado. É suposto os navios terem uma tripulação, é suposto não estarem tanto tempo no cais, é suposto não terem avarias com a longevidade que este tem, é suposto não terem problemas laborais. Portanto, é uma situação que nos preocupa", reconheceu o capitão do Porto da Horta.

O navio continua atracado no porto comercial da Horta, na ilha do Faial, agora rodeado de medidas de segurança, numa zona do cais que está interditada ao público.

De acordo com a lei, a detenção de um navio é um ato que resulta de uma avaliação inspetiva e consiste na proibição da sua saída para o mar devido a deficiências detetadas.