As culturas de hortícolas na região Oeste, onde se localiza mais de metade da produção nacional, ficaram perdidas em cerca de 30% em resultado das cheias ocorridas na terça-feira, estimou esta quarta-feira a Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste (AIHO).

António Gomes, presidente da AIHO, disse à agência Lusa que «cerca de 30% das culturas que estão nos terrenos perdeu-se» por terem ficado submersas devido a cheias provocadas pelos rios Sizandro e Alcabrichel, em Torres Vedras, e pelo Rio Grande, na Lourinhã.

Nos concelhos de Torres Vedras, Lourinhã e Peniche é onde se localiza grande parte da produção de hortícolas, sobretudo couves, nesta época do ano.

O dirigente adiantou que, «mesmo nas encostas, os terrenos estão saturados de água e estão a afetar estas culturas», admitindo que o problema poderá conduzir, nos mercados, a uma maior escassez de produtos e ao consecutivo aumento dos preços.

Em Torres Vedras, os rios Sizandro e Alcabrichel atingiram o seu caudal máximo e alagaram as suas várzeas, sobretudo junto às localidades de A-dos-Cunhados, Sobreiro Curvo, Maceira, Ramalhal, Bordinheira, Fonte Grada, Paúl, Ponte do Rol e Ribeira de Pedrulhos.

Em Paúl, Bordinheira e Ribeira de Pedrulhos, houve casos em que a água esteve a dois metros de entrar nas habitações.

A água cobre os terrenos agrícolas em mais de meio metro de altura, numa extensão calculada pela associação em cerca de 500 hectares, cerca de metade da área hortícola do concelho.

Situação semelhante ocorreu na Lourinhã, onde o Rio Grande deixou submersas as várzeas agrícolas nas zonas de Nadrupe e Ribeira de Palheiros e saturou de água as restantes.

O mau tempo para a agricultura, segundo o dirigente, vem atrasar em um mês a cultura da batata, com expressão na região, podendo vir a criar problemas de falta de água e de falta de regadio, em zonas onde nas épocas normais não costuma haver, bem como excesso de produção nos mercados, ao coincidir com culturas de batata mais tardias.

Em toda a região Oeste, as estradas voltaram hoje a ser reabertas com a descida das águas.

Apenas a Linha do Oeste se mantém fechada à circulação ferroviária entre Torres Vedras e Caldas da Rainha devido a um aluimento de terras, estando a ser efetuado o transbordo dos passageiros, de acordo com fonte da Refer.