O coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), Rui Marques, afirmou esta terça-feira em Coimbra que os atrasos na relocalização de refugiados devem-se "à incapacidade de organização europeia".

"O atraso que está a decorrer deve-se à incapacidade de organização europeia e a dificuldades por parte dos países de transição, como Itália e Grécia", apontou Rui Marques, considerando que o programa de relocalização de refugiados pelos países europeus está "muito lento".

O coordenador da PAR recordou que "a meteorologia vai ficar cada vez mais hostil", sendo urgente que esta situação seja resolvida.

"Há um mês não havia um dispositivo, mas hoje já há. É uma questão incompreensível", sublinhou, frisando que Portugal está "prontíssimo" para receber refugiados.

Rui Marques falava à agência Lusa à margem da cerimónia de abertura solene das aulas do Instituto Politécnico de Coimbra (IPC), onde proferiu uma palestra.

O coordenador da PAR centrou o seu discurso nos medos e preconceitos que têm sido criados em torno da chegada dos refugiados, criticando o facto de se ligar a imagem do autoproclamado Estado Islâmico "de forma iníqua a todos os muçulmanos".

"Os muçulmanos são os primeiros a morrer à mão do ISIS [sigla em inglês do Estado Islâmico do Iraque e Levante]", frisou, considerando que a Europa tem de ter "coragem para acolher" refugiados, depois de, durante quatro anos, ter fingido "que não percebia o que estava a acontecer", numa lógica "egoísta".

Mais de duas centenas de entidades, entre sociedade civil e setor social, estão disponíveis para acolher e ajudar na integração os cerca de 5.000 refugiados que chegarão a Portugal.