Georges Wolinski vai ser designado presidente do júri honorário do PortoCartoon, disse à Lusa o diretor do Museu Nacional da Imprensa, que esta quinta-feira participou nas cerimónias fúnebres do desenhador francês, em Paris.

«Ele era a estrela polar do PortoCartoon e vai continuar a ser», adiantou Luís Humberto Marcos, realçando que a nomeação de Wolinski será «anunciada devidamente» em breve.

Presidente do júri do PortoCartoon desde 2004, Georges Wolinski foi uma das 12 vítimas mortais do atentado contra a sede do jornal satírico Charlie Hebdo na capital francesa, atacada no dia 07 por muçulmanos fundamentalistas armados.

O diretor do Museu Nacional da Imprensa deslocou-se a Paris para assistir ao funeral de Georges Wolinski, que descreveu como «muito comovente».

Segundo contou, as cerimónias no cemitério de Père Lachaise foram acompanhadas por «imensa gente», com cartazes em memória dos «heróis» mortos pelos irmãos Said Kouachi e Cherif Kouachi, de 32 e 34 anos, que justificaram o ataque como uma «vingança» pela publicação de caricaturas do profeta Maomé no Charlie Hebdo.

O presidente da Biblioteca Nacional de Paris e dois amigos do cartoonista discursaram na cerimónia, que foi acompanhada por jazz de Miles Davis e música cubana. «Foi muito bonito», relatou Luís Humberto Marcos. «As pessoas puderam todas tocar na urna antes de se despedirem», acrescentou.

Luís Humberto Marcos deixou «uma referência ao PortoCartoon» e «três flores, uma azul, uma branca e uma vermelha, como símbolos da liberdade, igualdade e fraternidade, e atirei as três», relatou.

Durante a cerimónia de cremação, esteve exposto, num cavalete ladeado por coroas de flores, um dos últimos desenhos de Georges Wolinski. «É um pouco premonitório: é ele a ser puxado pelos deuses quando está a fazer amor», descreveu o diretor do Museu Nacional da Imprensa, que vai homenagear o cartoonista assassinado com a inauguração de uma exposição sobre a sua obra, no sábado.

Georges Wolinski nasceu em Tunes, na ainda Tunísia francesa, em 1934, filho de pais judeus, que se fixaram em Paris, no final da II Guerra Mundial. Estudou arquitetura na capital francesa, curso que abandonou para se dedicar ao cartoon, na década de 1960.

Durante a revolta de Maio de 1968, fez parte da equipa fundadora da revista satírica L'Enragé.

Na década de 1970, em colaboração com outro autor de banda desenhada, Georges Pichard, deu início à série Paulette, de cariz erótico, que se estreou no Charlie Mensuel e se traduziu em cerca de uma dezena de álbuns publicados nas décadas de 1970 e 1980.

Nos últimos 40 anos, colaborou com publicações como o jornal Libération e as revistas Le Nouvel Observateur e Paris-Match, L'Écho des Savanes e Charlie Hebdo.