O presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Algarve, Pedro Nunes, assegurou que «não há delitos de opinião» nessas unidades, mas tem de haver processos de averiguações quando os profissionais mandam doentes embora, por alegadas faltas de material.

Pedro Nunes reagiu assim à denúncia feita hoje pelo Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, numa conferência de imprensa, em Lisboa, onde expôs casos que considera serem «pressões sobre os profissionais de saúde», para não divulgarem problemas ou situações que se passam nos hospitais.

Entre esses casos, foi apontado um de uma médica do hospital do barlavento, em Portimão, que mandou um doente para casa por alegadamente haver falta de material para realizar uma biopsia.

«Não foi nada disso, isso é completamente mentira. A médica foi sujeita a um processo de averiguações que não deu nada e se concluiu que não havia motivo para nenhuma ação disciplinar, mas teve de se fazer, porque a médica alegadamente dizia que faltava material, mandou o doente para casa e desmarcou uma cirurgia, quando existia material», justificou Pedro Nunes.

O presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar do Algarve (CHA) assegurou que «não há nenhuma perseguição» e «houve apenas a averiguação por uma pessoa da mesma especialidade e o processo foi arquivado».

«Agora, é evidente que as pessoas não podem mentir nem mandar um doente embora dizendo que há falta material, quando esse material existe», afirmou Pedro Nunes.

A médica em causa foi submetida a um processo de averiguações, por parte da administração hospitalar, por ter informado um doente de que não tinha instrumentos necessários para realizar uma biópsia, segundo a Ordem dos Médicos.

«O Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos nem sequer teve o cuidado de saber o que estava a dizer e fez asneira», considerou Pedro Nunes, assegurando que «ninguém no CHA foi punido disciplinarmente por delito de opinião».

O presidente do Conselho de Administração do CHA disse que havia esse material no hospital e «não se pode andar a brincar com os doentes», muitas vezes sujeitos «a deslocações de vários quilómetros para os hospitais» de Faro, Portimão e Lagos.

«Não digam que é por falta de material, porque não há falta de material nenhum no Algarve. Se a médica tem ligado para o aprovisionamento, sabia que nesse mesmo dia tinha o material. Os doentes vêm de longe e é preciso ter algum cuidado», acrescentou.

Para o Conselho Regional do Sul, este é um dos exemplos que decorre do Código de Ética que o Ministério da Saúde pretende implementar e a que os médicos têm chamado «lei da rolha».

A Ordem dos Médicos compromete-se a «apoiar todos os médicos» que queiram denunciar situações nos seus serviços ou unidades e avisa o Governo de que, enquanto o Ministério da Saúde »não recuar definitivamente na intenção de produzir uma "lei da rolha"», as denúncias serão repetidas.