Notícia atualizada

O ministério da Administração Interna proibiu a realização da manifestação de 19 de outubro convocada pela CGTP para a ponte 25 de Abril, por razões de segurança.

De acordo com a mesma fonte, a proibição da manifestação foi comunicada àquela central sindical na segunda-feira à noite, ao mesmo tempo que comunicada à PSP, à GNR e ao Sistema de Segurança Interna da ponte, disse esta terça-feira à Lusa fonte do gabinete de Miguel Macedo.

Além da decisão de impedir a marcha através da ponte, o ministério determinou a alteração do percurso da marcha, acrescentou a mesma fonte.

Segundo adiantou o ministério, a decisão implica a alteração do percurso da marcha e tem por base o artigo 6.º da Lei 406/74, que refere a possibilidade de as autoridades podem alterar os trajetos programados ou determinar que os desfiles ou cortejos se façam só por uma das metades das faixas de rodagem «se tal for indispensável ao bom ordenamento do trânsito de pessoas e de veículos nas vias públicas».

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, já reagiu e disse que a decisão do Ministério da Administração Interna (MAI) de proibir a realização da manifestação de 19 de outubro na Ponte 25 de Abril «não traz nada de novo».

«Não há nada a acrescentar ao que já tínhamos dito ontem [segunda-feira]. A nossa posição é a mesma. Recebemos um ofício do MAI e do Ministério da Economia, no qual, na prática, acabam por repetir o que já foi referenciado anteriormente», disse Arménio Carlos à agência Lusa.

«Não vale a pena estar a responder a uma coisa que já foi respondida anteriormente. O Governo não tem um parecer técnico, carece de fundamento em relação a muitas das matérias», declarou Arménio Carlos, adiantando que os membros da comissão executiva da CGTP vão analisar a situação hoje à tarde.

A CGTP esteve ontem reunida com o ministro da Administração Interna. À saída da reunião de cerca de uma hora e meia com o ministro Miguel Macedo, o secretário-geral da Intersindical disse que a CGTP estava disponível para deixar livres as duas faixas laterais da ponte para a circulação de viaturas de emergência e assegurar um cordão humano para enquadrar os manifestantes, de modo a que o desfile decorresse ordeiramente.

«Vamos continuar tranquilamente a organizar a manifestação de dia 19. Não vamos entrar em especulações nem dramatizações», disse Arménio Carlos na altura aos jornalistas.

Segundo o sindicalista, a CGTP demonstrou ao Ministro da Administração Interna que tem meios para promover o protesto, com travessia da Ponte 25 de Abril, sem riscos para a segurança dos manifestantes.

A delegação da Intersindical propôs ainda a Miguel Macedo organizar a entrada na ponte de forma faseada para evitar um grande ajuntamento e eventuais problemas daí decorrentes.

«Saímos desta reunião mais convictos de que não há contra-argumentação para a nossa argumentação», afirmou Arménio Carlos.

Argumentos que, afinal, parece que não colheram junto do Governo.

Antes de se conhecer a decisão taxativa, o líder da UGT, Carlos Silva, considerou que a resistência do Governo à realização do protesto na Ponto 25 de Abril só pode ter motivações políticas. Em declarações à TSF, esta terça-feira, o dirigente sindical disse que a UGT não vai participar na marcha organizada pela CGTP, mas considera que a intersindical já deu garantias de segurança suficientes.

«Na minha opinião, a CGTP já garantiu as medidas de segurança necessárias e também tentou articular-se com as forças de segurança para garantir a travessia da ponte nas melhores condições», afirmou.