
A CGTP considera que as comemorações do 1.º de Maio excederam as expetativas em termos de participação e mostraram a disponibilidade dos trabalhadores para lutarem pelos seus direitos, muitos deles conquistados após abril de 1974.
«Este é um 1.º de Maio que excedeu as expetativas e mostrou a força de vontade e determinação dos trabalhadores para comemorarem Abril em Maio e lutarem por Abril. Foi o que tivemos em Lisboa, mas não só. Sentimos o mesmo em todo o país», disse o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos à agência Lusa no final da manifestação do Dia do Trabalhador.
«Foi um 1.º de Maio com muita força e determinação mas também com uma série de propostas suscetíveis de dar um novo rumo ao nosso país», disse Arménio Carlos, depois de falar aos milhares de pessoas presentes na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa.
Arménio Carlos considerou que a revisão da legislação laboral, que está em curso no setor privado e no setor público, «é um retrocesso civilizacional como nunca se verificou em Portugal». «Isto é uma tentativa de acerto de contas com os ideais e os direitos de Abril. E quando falamos nisto não se trata de nostalgia mas sim de valorização do trabalho e dignificação dos trabalhadores», disse.
«Este é um tempo de luta»
O secretário-geral da CGTP exortou os trabalhadores portugueses a lutarem contra as políticas de austeridade, em particular contra a revisão do Código do Trabalho que considera ter como objetivo a desregulamentação das relações de trabalho.
«Ao contrário do que o Governo e o grande patronato afirmam, é falsa a ideia de que há rigidez a mais no mercado de trabalho e que há pouca adaptação dos trabalhadores ao ciclo económico», disse Arménio Carlos na intervenção final da manifestação do Dia do Trabalhador, na Alameda Afonso Henriques, em Lisboa.
Para o sindicalista, não é com mais precariedade ou novas formas de trabalho gratuito que se promove o crescimento económico e se reduz o desemprego. «Este é um tempo de luta contra estas propostas, que desregulamentam e desumanizam as relações de trabalho e envergonham o país e os portugueses», afirmou perante os manifestantes.
O líder da Intersindical prometeu que a central sindical não aceitará «despedimentos mais fáceis» nem que «o grande patronato fique com todo o poder para alterar o horário de trabalho, reduzir os salários» e «esvaziar a contratação coletiva».
«Não aceitaremos alterações assentes em mentiras grosseiras que apostam numa maior redução dos salários, quando Portugal já é o 4º país da zona euro com memores custos do trabalho», afirmou Arménio Carlos.
Proposta de redução entre 33 e 53% foi enviada à Fenprof pelo Ministério da Educação