Os médicos de saúde pública alertaram esta quarta-feira que a resposta de combate ao Ébola a nível local precisa de ser melhorada, com espaços de isolamento de doentes em centros de saúde e formação e treino de profissionais de saúde.

 

O alerta foi deixado pela Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP), numa conferência de imprensa que visou principalmente mostrar que uma situação epidemiológica é altamente improvável em Portugal e que a as condições de resposta à doença «a nível central estão reunidas».

 

«Pode esperar-se a chegada de casos isolados, orientados para locais de referência com profissionais preparados, mas para passar daqui para a epidemia era preciso passar pela barreira de defesa que são as autoridades de saúde», explicou Mário Durval, dirigente da ANMSP, considerando que este «importante» dispositivo está em montado e bem preparado.

 

No que respeita à resposta a nível local, na qual «os médicos de saúde pública têm um papel central», está a ser «reforçada a preparação» de meios, de equipamentos e de profissionais.

 

«Se houver uma situação epidemiológica é a nível local que se joga o combate. As condições a nível central estão reunidas, mas a nível local é preciso melhorar a rede, é uma das medidas que é necessário aprofundar e melhorar. Localmente, estamos a formar pessoal para criar planos de contingência locais», acrescentou.

 

Fátima Dias, membro da direção da ANMSP, lembrou que, apesar de estar previsto o encaminhamento de todos os casos suspeitos – têm que ter sintomas e ter estado num dos países de risco – para as unidades de referência, é preciso acautelar a eventualidade de alguém menos informado se dirigir a um centro de saúde.

 

Para tal, estas unidades de saúde terão afixado à entrada um cartaz (escrito em três línguas) alertando quem tenha estado num dos países afetados pela epidemia há menos de 21 dias e apresente sintomas para que se dirija a um espaço específico a indicar pela respetiva unidade de saúde.

Estes espaços ainda estão a ser preparados nos centros de saúde, tratando-se de uma qualquer divisão o mais próximo da entrada possível, facilmente lavável, com o mínimo de equipamento possível, onde o doente deve permanecer até à chegada do INEM, que o transportará para um dos centros de referência.

Quanto à formação, os profissionais já têm alguma formação, que foi obtida antes da gripe A.

 

«Agora vamos proceder à formação em cascata. É formação, formação, treino, treino», salientou.

 

No entanto, os médicos esclareceram que o contágio do Ébola não é fácil, só sendo transmissível através de contacto direto com fluídos, que não incluem o suor nem a saliva, e após o início dos “sintomas específicos”, tais como vómitos e diarreias.

 

Mário Durval sublinhou que todas as investigações indicam que o contágio não se efetua durante o período de incubação do vírus (ausência de sintomas), nem tão pouco durante a fase dos “sintomas gerais”, que são a febre e o mau estar.

 

Isto dá aos profissionais uma «grande margem de segurança», no sentido de saberem que uma pessoa que apareça num serviço de saúde oriunda de um país de risco e já com febre alta ainda não está contagiosa.

 

Por este mesmo motivo, não está contemplada em Portugal quarentena para pessoas que tenham estado em contacto com um infetado, como aconteceu noutros países.

 

Os profissionais de saúde afirmam que não basta ter contactado com um infetado para colocar alguém em quarentena. Essa pessoa apenas será vigiada que se começar a revelar sinais de febre, refere a Lusa.