Os centros de saúde registaram no ano passado 157 novos casos de diabetes mellitus, a maioria de mulheres, acompanhando a tendência crescente deste problema de saúde em Portugal, segundo o relatório da Rede Médicos Sentinela.

A idade mediana destes utentes foi de 63 anos, variando entre os 13 e os 87 anos, adianta a rede, constituída por médicos de família que notificam voluntariamente casos ou episódios de doença e de outras situações relacionadas com a saúde dos utentes inscritos nas suas listas.

Esta doença, um dos principais problemas de saúde pública, levou ao internamento de cinco destes doentes e causou a morte de uma mulher.

A taxa de incidência estimada foi de 557 por 100.000 utentes, tendo sido mais elevada nas mulheres (588/100.000).

Considerando apenas a população utente com 35 ou mais anos, a taxa de incidência foi de 932/100.000 utentes.

Nos homens, a incidência mais elevada observou-se entre os 55 e os 64 anos (1.406/100.000), enquanto nas mulheres o pico de incidência se registou uma década mais tarde (1.709/100.000).

O relatório sublinha que «estes resultados reforçam a necessidade de manter a diabetes mellitus sob monitorização na rede».

Os Médicos-Sentinela notificaram também no ano passado 234 casos de hipertensão arterial, dos quais 53% eram mulheres.

Na população com mais 25 anos obteve-se uma taxa de incidência de 1.122 por 100.000 utentes. Para o total da população inscrita na rede a taxa de incidência estimada foi de 830/100.000 utentes.

A estimativa da taxa de incidência mais elevada para os homens verificou-se no grupo etário dos 55-64 anos (2.411/100.000) e para nas mulheres no grupo dos 65-74 anos (1.923/100.000 utentes).

Foi reportado pela rede a morte de uma mulher de 65 anos e o internamento de outra com 39 anos devido a hipertensão arterial, cuja taxa de incidência estimada tem aumentado para homens e mulheres.

Foram ainda notificados três casos de jovens com idades entre os 15 e os 24 anos, segundo o relatório.

Os Médicos-Sentinela, que no ano passado eram 112, notificam voluntariamente casos ou episódios de doença e de outras situações relacionadas com saúde dos utentes inscritos nas suas listas.

O relatório ressalva que os dados «devem ser interpretados à luz das limitações inerentes às características da Rede», uma vez que é de participação voluntária e apenas abrange os utilizadores dos cuidados de saúde primários.

O facto de os médicos que integram a rede pertencerem ao SNS não permite avaliar o que acontece em determinados grupos populacionais que utilizam outros sistemas de saúde.