O dispositivo de alerta de "tsunamis" de Setúbal, o primeiro a ser instalado em Portugal, pode estar a funcionar em pleno em 2015, admitiu hoje o italiano Alessandro Annunziato, do Centro Comum de Investigação da Comunidade Europeia.

«Estamos no processo de ligação do equipamento de medição instalado aqui junto ao cais da Secil», disse Alessandro Annunziato, durante um teste de verificação do bom funcionamento daquele dispositivo de recolha de dados sobre o estado do mar, que hoje foi testado pela primeira vez.

O equipamento dispõe de um mecanismo de raios laser que deteta eventuais alterações do estado do mar, e que também interpreta as caraterísticas de algumas ondas que, por vezes, antecedem a ocorrência de um "tsunami".

Os dados recolhidos são transmitidos para a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), e para o Centro Comum de Investigação da Comunidade Europeia, em Itália, bem como para um painel informativo instalado em 2011 no Parque Urbano de Albarquel, em Setúbal.

Em caso de alerta de "tsunamis", a população da zona ribeirinha teria apenas dois ou três minutos para se afastar da zona ribeirinha, devido à proximidade do equipamento, instalado a poucos quilómetros de Setúbal.

Este período de tempo poderá, no entanto, aumentar para 20 a 30 minutos quando forem instalados outros equipamentos de medição (bóias) ao largo da costa portuguesa, o que deverá acontecer até final deste ano, em locais ainda a definir.

O projeto do dispositivo de alerta de "tsunamis" de Setúbal foi desenvolvido pelo Centro Comum de Investigação da Comunidade Europeia, em colaboração com a Câmara Municipal de Setúbal, a Proteção Civil e a APSS.

O dispositivo, que já dispõe do painel informativo com sistema de alerta no Parque Urbano de Albarquel e do equipamento de medição junto ao cais da Secil, deve incluir, também, outros equipamentos de medição ao serviço da APSS.

«Aqui, em Setúbal, há apenas este ponto de recolha de dados instalado no molhe da Secil, mas a APSS dispõe de outros instrumentos de monitorização, designadamente estações meteorológicas e marégrafos», disse à Lusa Ernesto Carneiro, da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, salientando que todos estes instrumentos vão ajudar à monitorização para detetar a eventual ocorrência de um "tsunami".

«Há ainda uma rede de boias instaladas ao largo da costa que também fazem essa monitorização, o que permite a triangulação de toda essa informação e a transmissão automática para o dispositivo de alerta», acrescentou.

A zona ribeirinha da cidade de Setúbal ficou totalmente destruída após o "tsunami" que se seguiu ao sismo de 1755, tal como aconteceu na zona ribeirinha de Lisboa.

De acordo com alguns estudos realizados em Portugal, um sismo idêntico ao de 1755 poderia provocar uma onda com sete metros de altura com um poder de destruição que poderia devastar o centro histórico e entrar pela cidade dentro, percorrendo uma distância estimada de cerca de 800 metros, desde a linha de costa até ao Parque do Bonfim.