Os ambientalistas da Zero congratularam-se esta quarta-feira com a decisão do Governo espanhol de encerrar definitivamente a central nuclear de Garona, em Burgos, e defendem que Portugal deve iniciar esforços diplomáticos no sentido de fechar Almaraz.

Para a Associação Sistema Terrestre Sustentável - Zero, "o encerramento da central nuclear de Garona é a oportunidade para encerrar Almaraz", considerando que o Governo português "deverá, desde já, encetar esforços diplomáticos junto do Governo espanhol", de acordo com uma nota enviada à agência Lusa pela organização.

Na terça-feira, o ministro da Energia de Espanha, Álvaro Nadal, anunciou que o Governo espanhol vai fechar Garona (Burgos), a central nuclear mais antiga do país, que não estava a funcionar há cerca de cinco anos, decisão justificada com o impacto escasso no sistema elétrico espanhol e pela inexistência de certezas políticas ou económicas que garantam a amortização dos investimentos necessários, devido à oposição da maioria dos grupos parlamentares.

O responsável governamental deixou claro que a decisão tomada não pode ser extrapolada para o resto das centrais nucleares espanholas, refere a agência Efe.

No entanto, a Zero, que é membro do Movimento Ibérico Antinuclear (MIA), refere-se à decisão espanhola como um precedente que "torna a colocar na agenda a continuidade do programa nuclear espanhol, e nomeadamente a continuação do funcionamento da central nuclear de Almaraz, agora a mais antiga central nuclear de Espanha ainda em funcionamento, e com um historial dramático de incidentes de segurança".

O Conselho de Segurança Nuclear de Espanha havia sido favorável à reabertura da central de Garona, pelo que a Zero considera ser a decisão do Governo espanhol "histórica, uma vez que pela primeira vez é tomada uma decisão contrária aos pareceres daquele órgão consultivo".

A possibilidade de a central de Almaraz, localizada junto ao rio Tejo e a cerca de 100 quilómetros da fronteira portuguesa, ter licença para prolongar o funcionamento além de 2020 e a construção de um armazém para resíduos nucleares perto da unidade, tem suscitado oposição em Portugal e em Espanha.

Além das manifestações e protestos nos dois países, a construção do armazém, sem dar conhecimento a Portugal, como estipulam convenções internacionais, levou o Governo português a apresentar uma queixa à Comissão Europeia, depois retirada, quando os dois países chegaram a acordo.