O chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), general Luís Araújo, disse esta terça-feira estar «muito tranquilo» com o Orçamento do Estado (OE) para 2014, embora remetendo maiores comentários para um período após a aprovação do documento.

«Estou muito tranquilo, ainda não tenho conhecimento do orçamento, ainda não foi aprovado. Não estou nada preocupado. Logo se vê», disse aos jornalistas, sublinhando que as verbas «com certeza» não irão colocar em causa a operacionalidade das forças armadas.

O general Luís Araújo falava em Lisboa no final de uma reunião de Chefes de Estado-Maior das Forças Armadas integrada na iniciativa 5+5 Defesa, a que Portugal preside atualmente.

Sobre o teor da reunião, que antecede um encontro em breve dos ministros da Defesa, o CEMGFA considerou que o «fluxo de imigrantes [ilegais] que tentam chegar à Europa» por via marítima, com consequências desastrosas, como sucedeu recentemente em Lampedusa, mereceu o destaque dos presentes.

«Com certeza» que haverá reforço na vigilância destas situações, declarou, lembrando que «as autoridades italianas triplicaram os meios aeronavais» após a recente tragédia.

A iniciativa 5+5 Defesa tem por missão aprofundar o diálogo sobre assuntos militares regionais, a compreensão e o conhecimento entre os militares e, consequentemente, aumentar a cooperação militar entre os seus países, sendo a coordenação do patrulhamento no mar Mediterrâneo uma das prioridades.

O ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, destacou na semana passada uma redução de 140 milhões de euros no orçamento do ministério em 2014 face a 2013, garantindo que se mantém a «operacionalidade necessária».

«No que tem que ver com as receitas que vêm do Orçamento Geral do Estado, o que tem que ver com aquilo que cada português contribui para a Defesa Nacional, há uma diminuição no orçamento de 140 milhões de euros», disse Aguiar-Branco.

O ministro da Defesa Nacional sublinhou que a redução deve-se à prossecução da «reforma Defesa 2020» que inclui a redução do número de efetivos das Forças Armadas - menos 2000 em 2014 - e do dispositivo operacional.

O OE para 2014 prevê uma despesa total consolidada de 2.138,7 milhões de euros, representando um aumento de 6,8 por cento face à estimativa para 2013, de acordo com os números indicados no relatório que acompanha a proposta de lei entregue terça-feira na Assembleia da República.