O Plano Estratégico Cultural para a área de Belém foi hoje tornado público pelo Governo e prevê mudanças como a expansão do CCB, gestão integrada dos monumentos e melhoria de acessos, eliminando barreiras como a linha de comboio.

O Plano Estratégico Cultural da Área de Belém, que já está disponível no portal do Governo, é uma proposta elaborada pela estrutura de missão chefiada pelo novo presidente do CCB, António Lamas.

Um dos eixos principais desta proposta é a criação de um "Distrito Cultural de Belém", no eixo Belém-Ajuda, que seja um “acelerador e qualificador da oferta turística de Lisboa para que esta alcance, inequivocamente, o mais que justo estatuto de destino cultural” e seja criadora "de riqueza e de emprego".


A ideia é fazer uma “gestão integrada” dos equipamentos culturais, jardins, monumentos e museus existentes naquela zona de Lisboa, procurando “transformar uma mera concentração de elementos patrimoniais e equipamentos atomizados numa verdadeira rede integrada e coerente".

“Implica passar de uma lógica de intervenção pontual, focalizada nos monumentos e equipamentos 'per se', para uma lógica zonal e reticular”, refere o documento, explicando que apesar da riqueza patrimonial de mais de 30 instalações apenas algumas são muito conhecidas e visitadas, ao passo que outras não.

Resulta daqui que “apesar dos milhões de visitantes que acorrem a Belém, as receitas turísticas são diminutas e não permitem cobrir as necessidades de conservação e exploração, muito menos apoiar os investimentos de que esses equipamentos culturais e a envolvente urbana carecem”.


Ainda no âmbito da melhoria dos equipamentos, surge a proposta de expansão do CCB, designadamente com a “construção dos módulos 4 e 5 inicialmente previstos”.

Outra das propostas a que o plano dá ênfase é a criação de percursos temáticos relacionados com os Descobrimentos, que celebrem o contributo dos portugueses para o conhecimento do mundo através da navegação e do mar e que estimulem a associação do turismo à prática náutica desportiva.

A este propósito é relembrada novamente a ideia de um museu especialmente dedicado á época dos Descobrimentos.

Na base da necessidade de criar um plano para esta zona estão ainda problemas que urge resolver como a desarticulação entre as entidades com competências na área ou a “fragilidade de dados sobre números, características e motivações dos visitantes, receitas e recursos disponíveis”.

As barreiras criadas pela linha do comboio, bem como pelas avenidas da Índia e de Brasília, e pelo “estacionamento descontrolado” dos grandes autocarros de turismo são outros dos problemas identificados, que esta proposta pretende resolver eliminando-os.

Especificamente sobre a linha de caminho-de-ferro, o documento lembra que a sua eliminação chegou a ser equacionada durante a construção do CCB.

“Importa agora retomar esse objetivo de modo a evitar que a única solução para ligar as duas partes da Área de Belém seja a construção de passagens subterrâneas ou aéreas para galgar o caminho-de-ferro”.


Ainda nesta linha, o plano estratégico propõe estabelecer uma rede coerente de percursos para peões e ciclistas e reforçar a “integração do Distrito Cultural de Belém na rede de percursos pedonais e para bicicletas já existentes junto ao rio”.

A revisão dos preços dos bilhetes consta também dos objetivos apresentados.