O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, enalteceu esta segunda-feira a «renovação geracional» que representa para Espanha a recente proclamação de Felipe VI como rei, sublinhando o «carinho» e «simpatia» que Portugal tem para com a família real espanhola.

«A proclamação de vossa majestade como rei é um momento determinante para o seu país e constitui uma renovação geracional que marcará certamente a história de Espanha», declarou o chefe de Estado numa intervenção no Palácio de Queluz, onde foi oferecido um almoço em honra dos monarcas espanhóis.

No seu discurso, Cavaco disse que a visita do casal real espanhol traz uma «renovada confirmação da firmeza e profundidade das relações» entre Portugal e Espanha, «vizinhos e amigos» que «conhecem hoje um relacionamento que se exprime no quadro de uma cooperação bilateral que nunca foi tão vasta e intensa».

«A aproximação e o impulso registados nos últimos anos a nível das nossas instituições, dos empresários, dos jovens, dos agentes culturais e científicos, das universidades e dos parceiros sociais é hoje uma realidade completamente adquirida. Exemplos concretos desta cooperação não faltam e a XXVII Cimeira Luso-Espanhola do passado mês de junho demonstrou-o bem, pela diversidade dos temas e pela ambição dos debates», destacou Aníbal Cavaco Silva.

O chefe de Estado realçou que as áreas de cooperação bilateral entre os dois países «são cada vez mais numerosas, indo desde a investigação e ciência à cultura, aos transportes, à gestão de recursos hídricos e às questões energéticas».

Cavaco lembrou ainda que Espanha, «a nível comercial, constitui o primeiro cliente e fornecedor de bens de Portugal», e «foi também, nos dois anos mais recentes, o primeiro investidor externo e um dos principais recetores do investimento português no exterior».

«A nível do turismo, Espanha ocupa uma posição cimeira como mercado emissor de turistas para Portugal e é um destino de eleição para os portugueses. Estes dados são reveladores da grande conexão existente entre as nossas duas economias», acrescentou o Presidente da República.

Portugal e Espanha, prosseguiu, conhecem-se hoje «melhor» e trabalham «muito melhor em conjunto», mas «nem tudo, por certo, está feito».

«Podemos ir mais longe na nossa cooperação e na nossa coordenação. Manteremos, pela nossa parte, a ambição e o empenho na construção de um futuro de relações cada vez mais estreitas e frutuosas», disse.

A intensidade e o peso estratégico do relacionamento entre os dois países «fazem com que poucos temas escapem hoje às relações luso-espanholas», advertiu ainda o Presidente da República.

Antes do almoço os dois casais tiraram uma fotografia conjunta e visitaram os jardins do Palácio de Queluz, onde se exibiram os cavalos da Escola Portuguesa de Arte Equestre.

Posteriormente, os convidados presentes no almoço de honra apresentaram cumprimentos ao casal real espanhol e ao chefe de Estado português e à sua mulher.

No almoço estiveram presentes cerca de 120 pessoas, incluindo convidados das mais variadas áreas.

Entre os presentes estavam, por exemplo, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, o antigo Presidente da República Jorge Sampaio e os antigos líderes do PSD Francisco Pinto Balsemão e Pedro Santana Lopes e a cantora Carminho.

Também presentes em Queluz estiveram a artista Joana Vasconcelos, a presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, a jornalista Pilar del Rio, o Cardeal-Patriarca de Lisboa, Manuel Clemente, e os presidentes das Câmaras de Lisboa e Sintra, António Costa e Basílio Horta, respetivamente.

A visita oficial prossegue de tarde, com os reis de Espanha a serem recebidos no parlamento pela presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, e pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, em São Bento.