A porta-voz do Bloco de Esquerda (BE) Catarina Martins acusou, esta terça-feira, o Governo de não ter “feito muito” pela confiança na economia portuguesa ou na zona euro, acrescentando que o mesmo tem “pouca capacidade” de resposta nos debates.

“Não se pode dizer que o Governo português tenha feito muito pela confiança nem na economia portuguesa nem na zona euro, porque empobrecer um país não torna uma economia mais forte”, disse a porta-voz do BE, citada pela Lusa.


As afirmações de Catarina Martins surgiram no seguimento das declarações do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que afiançou levar ao debate do “Estado da Nação”, de quarta-feira, uma mensagem de confiança na zona euro e na economia portuguesa.  

A porta-voz bloquista advertiu ainda que “acrescentar a todos os riscos da zona euro pressões sobre países que estão em situação de alguma forma semelhante a Portugal, também não contribui em nada para a estabilidade da zona euro”. 

“O Governo tem feito muitos debates sobre índices, tranjetórias e décimas e tem tido muito pouca capacidade de responder a perguntas concretas”, acrescentou a dirigente do BE, em relação ao debate do “Estado da Nação”.


Sobre o último debate desta legislatura, Catarina Martins sublinhou vontade em que este “possa ser um debate que fale sobre a realidade do país”, nomeadamente sobre as privatizações.

No tema das privatizações, a deputada acusou o executivo de “ter muito a esconder”, por recusar-se “sistematicamente, alegando natureza comercial de acordos, em dar conhecimento dos contratos e das garantias de serviço público acordadas”.

“O discurso do Governo sobre as privatizações assenta, genericamente, na construção de três mitos”, que a porta-voz bloquista considerou falsos, sendo eles: “as empresas públicas são mal geridas, a privatização vai gerar competitividade e diminuir os preços, e em terceiro lugar, as privatizações vão melhorar as contas do Estado”.

“As privatizações são portanto um embuste ideologicamente sustentado”, e “não só não diminuíram a dívida como aumentaram o défice”, declarou a deputada do BE, explicando que a nação “vê setores vitais para a independência de um país, como a distribuição da energia e as comunicações, sem nenhum papel do Estado, ao contrário do que acontece na esmagadora maioria dos países europeus”.