Os incêndios em Castelo Branco e Vila Real eram os mais ativos na tarde de hoje, quando Lisboa regista também três fogos, em Vila Franca de Xira, Sintra e Loures, segundo um balanço às 19:00 da Proteção Civil.

No segundo 'briefing' do dia, feito na sede da Autoridade Nacional de Proteção Civil em Carnaxide, Lisboa, a adjunta de operações Patrícia Gaspar disse que só hoje deflagraram 130 incêndios, havendo 12 casos às 19:00.

Nesta tarde, disse, os bombeiros estão especialmente atentos aos fogos de Louriçal do Campo, que se estendeu ao Fundão, e de Vila de Rei, onde se temem reativações, apesar de o fogo estar dominado. Ribeira de Pena, em Vila Real, é outro foco de atenção.

Quanto aos incêndios no distrito de Lisboa, disse a responsável que o de Vila Franca de Xira tinha às 19:00 uma frente e estava a ser combatido por 126 operacionais, com 37 meios auxiliares. Em Sintra (S. João das Lampas), também com uma frente, combatiam as chamas 127 operacionais, com 37 veículos e o apoio de dois meios aéreos.

O incêndio de Loures tinha duas frentes ativas mas sem qualquer situação critica.

O incêndio em Louriçal do Campo, no distrito de Castelo Branco, estava às 20:20 a ser combatido por 465 operacionais, apoiados em 137 veículos, além de sete meios aéreos.

Mas é o fogo em Vila de Rei que mobiliza mais meios, apesar da Proteção Civil considerar que esta ocorrência já está em fase de resolução. No terreno continuam 778 bombeiros, com 228 viaturas e quatro meios aéreos.

O fogo de Vila de Rei teve origem no incêndio de Ferreira do Zêzere, no distrito de Santarém, que deflagrou na sexta-feira. 

Nas últimas 24 horas, quatro bombeiros ficaram feridos, sem gravidade, em Alcongosta, no concelho do Fundão.

A23 de novo cortada

A Autoestrada da Beira Interior (A23) está cortada ao trânsito entre Castelo Novo e a Soalheira, no concelho do Fundão, devido ao incêndio que lavra na Serra da Gardunha desde domingo. Fonte da Scutvias, concessionária da A23, adiantou à Lusa que o trânsito foi cortado nos dois sentidos daquele troço, cerca das 15:45, em virtude da proximidade das chamas.

Segundo a fonte, os veículos estão a ser encaminhados para a Estrada Nacional (EN) 18, que nessa zona está aberta ao trânsito.

Também esta tarde foi suspensa a ligação ferroviária da Beira Baixa, entre Castelo Branco e a Covilhã, disse à Lusa fonte da Infraestruturas de Portugal (IP). De acordo com a IP, o corte da linha da Beira Baixa foi feito às 16:25, "por pedido do CDOS [Comando Distrital de Operações de Socorro] de Castelo Branco".

Contactada pela agência Lusa, a CP referiu que um comboio que ia em direção à Covilhã ficou parado em Castelo Branco face ao corte da linha. O mesmo comboio faria depois a viagem de regresso a partir da Covilhã. O transbordo ainda não está assegurado, sendo que "a situação está em avaliação", afirmou fonte da CP.

Fogo no Fundão ganhou força

Ao final da tarde o presidente da Câmara, veio pedir mais meios no terreno, alegando que o fogo ganhou esta tarde "uma força incalculável" e deixou a localidade de Soalheira rodeada pelas chamas.

A situação na Soalheira, que está "rodeada pelo fogo", levou à retirada de pessoas das casas para um quartel dos bombeiros e para um lar, situados dentro da localidade, por não ter sido possível fazer a evacuação para fora da sede de freguesia, disse à Lusa o presidente da Câmara do Fundão Paulo Fernandes.

Para além de Soalheira, o fogo entrou durante a tarde em Vale de Prazeres e ameaça também Alcongosta, onde as chamas já entraram dentro da localidade, sublinhou o autarca.

As frentes ganharam uma força incalculável. Há uma frente descontrolada entre Alpedrinha e Vale de Prazeres em direção a Póvoa de Atalaia", contou à Lusa Paulo Fernandes, considerando que "muito provavelmente" outras aldeias poderão estar em perigo nas próximas horas.

De acordo com o presidente do município do Fundão, "há casas afetadas", mas ainda não foi feita a contabilização.

Sobe para 55 o número de feridos registado desde 4.ª feira

O número de feridos registados desde quarta-feira devido aos incêndios subiu para 55. No primeiro 'briefing' do dia, realizado pelas 09:00, em Lisboa, a adjunta de operações da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), Patrícia Gaspar, revelou que, destes 55 feridos, 51 são leves e quatro graves.