O secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar, João Casanova de Almeida, disse esta sexta-feira à agência Lusa que os resultados do concurso de professores refletem a «reorganização dos recursos humanos» desenvolvida pelo Ministério da Educação.

«As listas hoje divulgadas revelam-nos, em primeiro lugar, que estamos perante um concurso que fez, pela primeira vez, uma reorganização dos recursos humanos na perspetiva da rentabilização», afirmou.

Para Casanova de Almeida, o sistema não podia continuar a funcionar com professores de quadro sem turmas atribuídas (os chamados horários zero) e a contratação simultânea de docentes.

O secretário de Estado atribuiu também os resultados do concurso de mobilidade interna ao alargamento territorial dos Quadros de Zona Pedagógica (QZP).

De 23 QZP passou-se para 10, o que significa que os professores passam a estar vinculados a um território mais alargado.

«Temos apenas 2.185 professores (do quadro) que vão concorrer às reservas de recrutamento enquanto houver horários durante o primeiro período, o que significa que este número vai baixar significativamente», sublinhou.

Casanova de Almeida indicou que existirão necessidades de contratação que vão ser suprimidas por professores do quadro: «Esse é um objetivo que nós temos e que estamos a conseguir.»

As escolas solicitaram a colocação de professores para o preenchimento de 17.263 horários, tendo sido satisfeitos menos de 11.000, segundo dados do Ministério da Educação hoje divulgados em comunicado.

«Está a ser feita, pela primeira vez, uma adequação dos recursos humanos às zonas territoriais cujas necessidades permanecem e são declaradas pelas escolas», frisou o secretário de Estado.

«Apesar de haver 2.185 professores sem horário, temos 6.437 horários que não foram ocupados, o que significa que temos de continuar a trabalhar para que esses docentes possam ocupar horários que não são ocupados por eles», declarou.

O governante salientou ainda que do concurso de vinculação extraordinária de docentes, apenas dois professores não ficaram agora colocados.

«São 600 professores que entraram no quadro com critérios territoriais e de grupos que fazem falta», declarou.

Questionado sobre os efeitos das medidas para um grande número de professores contratados, o secretário de Estado respondeu: «Temos de fazer contratações que correspondam às reais necessidades do sistema educativo. Não podemos ter uma política de ter professores vinculados ao Ministério que não conseguem ocupar um horário letivo e para esse mesmo lugar ser feita uma contratação».