O pai de Manuel Armando Rodrigues Marques morreu há 54 anos, era ainda Manuel um jovem de 18 anos. Mas, apesar de morto há mais de meio século, o pai do agora padre recebeu há dias uma notificação das Finanças para pagar 27,04 euros, «a décima» relativa a «um casebre», único bem imobiliário que a família possui.

«Era um bem de família que o meu tinha comprado a uns tios por uns 100 escudos ou coisa parecida. Foi o único bem imóvel que o meu pai alguma vez teve», conta ao tvi24.pt Manuel Armando Marques, o «Padre Mágico», como é conhecido do público.

Vinte e dois anos depois da morte do pai de Manuel Marques, morreu a mãe. Só 12 anos após mais este triste acontecimento, os irmãos resolveram reunir e «dar um destino» ao tal «casebre» em que foram criados. A casa ficou em nome do padre e mais duas irmãs solteiras. «As coisas foram mexidas pelo menos por três vezes: na morte do meu pai, depois na morte da minha mãe e quando demos destino à casa. Se havia alguma coisa a liquidar, porque não nos disseram nessas alturas?», questiona.

«Nunca fomos avisados de nada. Ou então, esta nota podia vir em nome de quem está a casa agora. Mas não: vem em nome do meu pai que faleceu há 54 anos!», sublinha Manuel Armando Marques.

O padre vai agora tentar esclarecer a situação junto das Finanças: «não é a questão da quantia, mas de as coisas estarem legalizadas e de perceber onde foram buscar o nome do meu pai».

Enquanto a explicação chega e não chega, encara a situação com boa disposição. «Se estivessem a dizer-me que aquilo estava em hasta pública é que eu me preocupava. Assim, só me posso rir», diz.

«Nunca tive tantas partilhas e gostos de alguma coisa que pus no Facebook como com esta história», remata, bem disposto.