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Casa Pia: livro de Marçal é «uma espécie de recurso extraordinário»

Advogada diz que é «um grito contra a presunção geral da culpabilidade». Sá Fernandes fala da «história de um homem sobre quem o mundo desabou»

Por: tvi24 / SM  |  9- 9- 2010  21: 29

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Hugo Marçal à chegada ao Tribunal de Monsanto

O arguido Hugo Marçal apresentou esta quinta-feira em Lisboa o seu livro «Sabão Azul e Branco» sobre o processo Casa Pia, obra que a sua advogada, Sónia Cristovão, considerou uma «espécie de recurso extraordinário» para repor a verdade dos factos.

Na sessão pública de apresentação livro, de 300 páginas, editado pela Bertrand e com 10 mil exemplares, estiveram também presentes o advogado João Nabais (que defendeu Hugo Marçal no início do processo) e António Serra Lopes e Ricardo Sá Fernandes, advogados do arguido Carlos Cruz.

Sónia Cristovão classificou a obra do seu constituinte como «um grito contra a presunção geral da culpabilidade» de Hugo Marçal e uma oportunidade para «conhecer factos nunca antes tornados públicos».

Serra Lopes interveio para dizer que Hugo Marçal foi «embrulhado numa história kafkiana» e vítima de um «erro judiciário desmesurado», enquanto João Nabais descreveu a forma como este processo «esmagou» o advogado de Elvas, ao ponto de este arguido não ter sequer dinheiro para pôr gasolina no carro ou tomar uma refeição.

Ricardo Sá Fernandes disse que o livro é a «história de um homem sobre quem o mundo desabou», vincando pessoalmente ter «a certeza moral de que Hugo Marçal é inocente».

O advogado do apresentador Carlos Cruz, que várias vezes deu a cara por Hugo Marçal no decurso do processo, defendeu as manifestações públicas de defesa dos arguidos, alegando que «se não houver clamor público de revolta não haverá volta a dar nos recursos».

«Há que dizer basta. Não basta que nos atirem para o papel selado (recursos). É uma luta jurídica, mas também um combate cultural e civilizacional» em defesa da verdade dos factos, insistiu Ricardo Sá Fernandes.

«Sabão Azul e Branco» é o livro em que Hugo Marçal fala sobre um processo que diz ser «a maior fraude judicial de sempre», relatando várias estórias, incluindo aquela em que ingeriu um bocado de sabão a meio de um interrogatório judicial.

«Trata-se de um livro que considero violento e agressivo, e muito sério, pois é a minha verdade e a minha vida. Garanto que nele escrevo apenas verdades, fruto da revolta que me invade e paulatinamente me corrói», diz Hugo Marçal na introdução deste livro, em cujo lançamento estiveram hoje presentes os arguidos Ferreira Diniz e Manuel Abrantes.

O advogado de Elvas foi sentenciado na passada sexta feira a seis anos e dois meses de prisão por crimes de natureza sexual no âmbito do processo Casa Pia.

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