A direção da Casa dos Marcos, unidade para doentes raros criada pela associação Raríssimas, afirma que continua a trabalhar e a cumprir os serviços aos utentes, demarcando-se de qualquer atitude ilícita que tenha sido praticada.

Em comunicado enviado à agência Lusa, o conselho diretivo e a coordenação da Casa dos Marcos refere, em nome dos trabalhadores, que tem orgulho de trabalhar “numa instituição que prossegue uma das missões mais nobres de uma sociedade, ou seja, a atenção e o cuidado devidos a quem não pode cuidar de si próprio e vive numa permanente situação de necessidade”.

Neste momento é nosso dever transmitir que nos mantemos, como até agora, a cumprir as nossas funções e que não estão em causa quaisquer serviços prestados na Casa dos Marcos. Antes de mais, demarcamo-nos de toda e qualquer atitude menos ética ou ilícita que tenha sido praticada em nome da instituição, seja pela ex-presidente ou por qualquer membro da direção, e reafirmamos a lealdade, apenas e só, à causa para a qual trabalhamos”, refere a nota.

Contactada pela Lusa, a coordenadora do departamento jurídico da Casa dos Marcos, Manuela Duarte Neves, indicou que a referência a Paula Brito e Costa como ex-presidente se deve ao facto de o conselho diretivo e trabalhadores considerarem que esta “se vai demitir”.

Importa que, inequivocamente, os nossos parceiros, mecenas, pais e cuidadores estejam cientes do nosso propósito e que, connosco, prossigam a nossa missão de forma cada vez mais assertiva e com o máximo rigor”, acrescenta a nota enviada à Lusa.

150 funcionários

Manuela Duarte Neves referiu que trabalham cerca de 150 pessoas na Casa dos Marcos, que tem um conselho diretivo próprio, composto por quatro elementos, sendo um deles a presidente da Raríssimas, a única que não subscreveu este comunicado agora divulgado.

A TVI divulgou no sábado uma reportagem sobre a gestão da associação Raríssimas - Associação Nacional de Doenças Mentais e Raras, financiada por subsídios do Estado e donativos. A investigação mostra documentos que colocam em causa a gestão da instituição de solidariedade social, nomeadamente da sua presidente, Paula Brito e Costa, que alegadamente terá usado o dinheiro em compra de vestidos e vários gastos pessoais.

Na segunda-feira, a Procuradoria-Geral da Republica (PGR) informou que o Ministério Público está a investigar a Raríssimas, após uma denúncia anónima relativa a alegadas irregularidades na gestão financeira e ao uso indevido de dinheiros da associação pela sua presidente.

Também na segunda-feira, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social anunciou que vai “avaliar a situação” da Raríssimas e “agir em conformidade”, após a denúncia de alegadas irregularidades na gestão financeira e de uso indevido de dinheiros da associação pela sua presidente.

Antes da posição do Ministério, a direção da Raríssimas divulgou um comunicado na rede social Facebook no qual diz que as acusações apresentadas na reportagem são “insidiosas e baseadas em documentação apresentada de forma descontextualizada”, afirmando que as despesas da presidente em representação da associação estão registadas “contabilisticamente e auditadas, tendo sido aprovadas por todos os órgãos da direção”.

A direção da Raríssimas destaca ainda que, “contrariamente ao que foi dito na reportagem, não está em causa a sustentabilidade financeira” da associação.

Quanto aos valores de vencimentos que a reportagem mostra, diz a Raríssimas que “foram artificialmente inflacionados” e que os ordenados que paga se baseiam na “tabela salarial definida pela CNIS - Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social”.