O Sindicato dos Jornalistas repudiou esta quarta-feira o atentado ocorrido esta manhã na sede do semanário parisiense «Charlie Hebdo» e prestou homenagem à «resistência e coragem» dos que «amam até aos limites a liberdade de expressão».

Num comunicado na página na internet do sindicato afirma-se também a solidariedade para com a dor e revolta dos camaradas e familiares das vítimas do atentado, 12 até ao momento, 10 trabalhadores do semanário satírico e dois polícias.

«Tendo-se distinguido pelos seus desenhos satíricos, frequentemente polémicos, sobre diversas realidades políticas e religiosas, o Charlie Hebdo pagou um preço muito caro, profundamente injusto e completamente intolerável pelas suas opções», diz o comunicado na página do Sindicato, encimado por um quadro a negro com a frase «Je suis Charlie» (Eu sou Charlie).

No documento, remetido também à Federação Europeia de Jornalistas, o Sindicato deseja a rápida detenção e a severa punição dos culpados e «junta a sua à voz das organizações de jornalistas e de cidadãos que reafirmam que a violência não pode ser a resposta para a divergência, mas também que o ódio jamais calará o desejo de liberdade».

Cartoonistas portugueses condenam ataque ao jornal

Os cartoonistas portugueses André Carrilho, António Jorge Gonçalves e Rodrigo Matos afirmaram à agência Lusa que a única resposta ao ataque de hoje ao jornal francês Charlie Hebdo, que causou 12 mortos, é a não intimidação.

«Estou em estado de choque. É uma verdadeira barbárie e é-me difícil compreender que o ódio no ser humano chegue a este ponto», afirmou António Jorge Gonçalves, que atualmente colabora com o jornal Público e com o suplemento Inimigo Público.


Para o cartoonista, o ataque ao jornal satírico francês é também um ataque à liberdade de expressão e os cartoonistas não podem deixar intimidar-se e baixar os braços.

André Carrilho, que colabora com o Diário de Notícias e várias publicações internacionais, como o Independent e a Vanity Fair, condenou o «ataque abjeto», feito para «silenciar todos os que não concordam com uma agenda extremista».

«O fundamentalismo dá nisto. Eu acho que devemos continuar a fazer o que fazíamos: Dizer a nossa opinião e viver da expressão livre da nossa opinião», disse.


Contactado pela Lusa, Rodrigo Matos, que em 2014 venceu o Grande Prémio Press Cartoon Europe, considerou que «toda a condenação é pouca para o fanatismo religioso» e para os que morrem «por expressarem livremente o seu pensamento, as suas opiniões».

Para Rodrigo Matos, que colabora com o Expresso, Macau Daily Times e Ponto Final, os jornalistas e cartoonistas não podem ceder ao medo.

«É como se estivéssemos entre a espada e a parede: Por um lado, temos esta situação que não nos deve passar ao lado, ou seja, qualquer cartoonista terá eventualmente de tentar fazer humor com este tema e os autores deste ataque estarão na mira das nossas canetas. Por outro, ninguém que ser vítima de outro ataque igual», disse.