A população de Canelas, em Vila Nova de Gaia, vai enviar uma petição pública e uma carta ao Papa Francisco para lhe dar conhecimento do afastamento do ex-padre da paróquia, Roberto de Sousa, pela Diocese do Porto.

«Além da petição pública e da carta explicativa, vamos enviar-lhe [Papa] as reportagens jornalísticas que foram e têm sido feitas sobre o assunto», disse à Lusa o responsável pelo movimento de apoio ao padre «Uma Comunidade Reage!», Miguel Rangel.

A documentação será enviada sexta-feira, pelas 17:30, nos Correios de Canelas, Gaia, no distrito do Porto.

A decisão de afastar o padre Roberto de Sousa da paróquia de Canelas foi tomada em finais de julho pela Diocese do Porto, tendo chegado a haver um recuo a meio de setembro, mas a determinação ficou concretizada no início de novembro com a chegada do novo pároco, Albino Reis, que teve de ser escoltado pela GNR nos primeiros domingos após a missa matinal devido a protestos de populares.

«Esperamos que o Papa Francisco responda a um contacto que vai na missiva», disse à Lusa.


Segundo Miguel Rangel, se o papa tiver comportamentos semelhantes aos que tem tido noutros casos, a situação de Canelas ficará resolvida.

Desde a saída do padre Roberto de Sousa que o movimento “Uma Comunidade Reage!” se concentra do lado de fora da Igreja de Canelas de quarta-feira a domingo, reivindicando o seu regresso.

Além disso, ao longo de meses, organizou um cordão humano, vigílias, marchas silenciosas e um jantar com o antigo padre, ao qual ofereceu um livro de dedicatórias.

No início do ano, centenas de pessoas da paróquia participaram numa marcha que culminou numa vigília em frente à Sé do Porto para pedir à diocese que reconsidere o afastamento do sacerdote.

Devido à revolta da população, o Conselho Presbiterial da Diocese do Porto manifestou, numa nota, «consternação» pelos protestos e o Núncio Apostólico pediu-lhe para retomar o diálogo com o bispo do Porto, António Francisco dos Santos.

Por seu lado, o secretário da Conferência Episcopal Portuguesa disse que o conselho permanente daquela entidade manifesta «toda a confiança» nas decisões do bispo.